Sobram evidências científicas de que o chocolate amargo, guloseima com um gosto peculiar justamente por ter maior teor de cacau na sua composição, promove uma série de benefícios para a nossa saúde por ser rico em flavonóides epicatequina e ácido gálico, antioxidantes que ajudam a proteger os vasos sanguíneos, prevenir o câncer e promover a saúde do coração. Também tem sido demonstrado de forma efetiva que o consumo de chocolate escuro combate a hipertensão de intensidade média. De fato, o chocolate escuro tem mais flavonóides do que qualquer outro alimento rico em antioxidantes, como vinho tinto e chá verde e preto.
Essas afirmações podem ser comprovadas pelos resultados de uma das pesquisas mais recentes sobre esse chocolate, realizada na Universidade Hospital Colônia, na Alemanha. O estudo revela que seu consumo rotineiro reduz os níveis da pressão arterial. O trabalho avaliou 44 pacientes entre 56 e 73 anos, pré-hipertensos ou no estágio inicial do problema. Durante 18 semanas, parte deles consumiu 6,3 gramas de chocolate amargo, algo equivalente a um único pedaço de uma barrinha. Os demais participantes ingeriram o tipo branco.
Os ínfimos 6,3 gramas da versão de gosto mais acre derrubaram a pressão que o sangue exerce sobre os vasos de até 1,6 milímetros de mercúrio na pressão máxima e 1 milímetros de mercúrio, na mínima. Além disso, a prevalência da hipertensão, problema que acomete cerca de um bilhão de pessoas no globo e é responsável por milhares de casos de infarto e derrame, caiu de 86% para 68%.
Para que isso ocorra é preciso que o consumo do alimento seja diário. Bastam de 30 a 40 gramas, ou quatro quadradinhos daqueles tabletes grandes. Por outro lado, o chocolate amargo não contribui para a subida do colesterol, pois os polifenóis impedem a oxidação do LDL, o tipo ruim da gordura. Eles sequestram esta molécula, formando um complexo solúvel que é eliminado pela urina.
Uma pesquisa japonesa publicada no periódico americano Nutrition investigou o papel da procianidina, outro componente do chocolate amargo, no controle do diabetes tipo 2. Os resultados deram certo em ratos obesos e mostraram que 100g diários poderiam garantir o mesmo benefício aos humanos, mas este é um dado que ainda precisa de mais evidências. Portanto, ainda é cedo para os diabéticos começarem a fazer uso deste alimento.
Na Espanha, uma pesquisa realizada na Universidade de Barcelona também focou nos flavonóides do cacau, mas, desta vez, com o objetivo de avaliar sua ação no sistema imune de ratos jovens. Os animais receberam uma dieta enriquecida com o alimento durante três semanas. Depois, os especialistas chegaram à conclusão de que houve um aumento na atividade de certas áreas envolvidas com a imunidade. Com este estudo, foi descoberto que o cacau também protege os neurônios dos efeitos dos radicais livres e repete o que outros estudos já apontam: dentre todos os tipos, o chocolate amargo é o que mais contém este tipo de composto. Assim, ele é o único que pode ter um bom impacto na saúde.
Além de não deixar o organismo fraco e vulnerável, o alimento mantém o humor em alta. Ele possui duas substâncias que estabilizam as anandamidas, fazendo com que a sensação de bem-estar dure mais tempo, sem falar na fenilalanina e na tirosina, dois aminoácidos que são precursores da noradrenalina e da dopamina, outra dobradinha envolvida no estado de felicidade natural.
Os mesmos benefícios não foram encontrados no chocolate ao leite e no branco. Porém, como o chocolate é um alimento rico em caloria, seu consumo requer a redução de ingestão de calorias vindas de outras fontes da alimentação. O consumo de chocolate também deve ser moderado por ter grandes quantidades de gorduras saturadas.
Segundo pesquisas da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, o chocolate amargo pode diminuir o apetite. Experiências feitas com adultos no peso ideal mostram que depois de comer aproximadamente 30g de chocolate amargo, o apetite diminui em 15% nas cinco horas seguintes, diminuindo também o consumo de pratos como salgadinhos, pizzas e frituras. Porém, conforme dito, o chocolate amargo é muito calórico e seu consumo deve ser moderado.
* Hilda Barros é Nutricionista pela UNI-RIO, mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFRRJ, doutoranda em Vigilância Sanitária pelo INCQS/FIOCRUZ e Profª. de Análise de Alimentos pelo Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Publicado em 10/7/2009
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