A Tuberculose (TB) é uma doença que pode ser prevenida e curada, mas permanece através dos séculos como uma ameaça à saúde pública em todo o mundo. O Brasil está entre os quinze países que apresentam maior número de casos da doença, segundo informações da Organização Mundial da Saúde. No Rio de Janeiro a doença também é um problema de saúde pública, e precisa de atenção contínua.
Os sinais e sintomas sugestivos de tuberculose são tosse persistente por mais de três semanas, com ou sem catarro; febre, principalmente à tarde; suor noturno; falta de apetite e emagrecimento. Alguns pacientes podem apresentar escarro com sangue. Em alguns casos os sintomas são tão fracos que a pessoa nem percebe que está doente, demorando, assim, a procurar o serviço de saúde.
A presença de um ou mais dos sinais e sintomas descritos deve levar as pessoas ao serviço de saúde para confirmar ou afastar a possibilidade de tuberculose e iniciar de imediato o tratamento nos casos confirmados. O exame do escarro (baciloscopia) é o mais importante para confirmar a doença e o diagnóstico de certeza da TB. A radiografia do tórax auxilia o médico a suspeitar do diagnóstico de tuberculose e permite observar as características e a extensão da doença. A radiografia é muito utilizada, mas em todos os casos é necessário realizar a baciloscopia.
Ao iniciar o tratamento, o estado geral das pessoas melhora rapidamente e a transmissão da doença é interrompida. O acompanhamento é ambulatorial. Nos primeiros meses de tratamento o paciente se sente bem melhor, mas só deve parar de tomar a medicação quando seu médico lhe der alta. O tratamento completo é a única forma de curar a tuberculose e é garantido plenamente e gratuitamente nas unidades do SUS. Todo o processo é realizado nos consultórios da rede pública de saúde e só os casos muitos graves precisam de atendimento hospitalar e internação. O tratamento correto e contínuo por seis meses é o que garante a cura em praticamente todos os casos.
Uma das maiores dificuldades ao combate desse grave problema de saúde é o abandono do tratamento. Com o desaparecimento dos sintomas, no início do tratamento, muitas pessoas acabam deixando a terapia de lado. O abandono da terapia pode levar o paciente a desenvolver uma tuberculose resistente à medicação.
Dúvidas frequentes:
A tuberculose pega? Sim. A transmissão desta doença se dá pelo ar. Explicando melhor: um doente com tuberculose pulmonar pode liberar bacilos para o ar através de sua tosse, espirro ou fala. Uma pessoa sadia, respirando aquele ar que contém os bacilos, pode se contaminar.
É uma doença só dos pulmões? Não. A tuberculose atinge principalmente os pulmões, mas pode também atingir diversos órgãos, como por exemplo os rins, a pele, os ossos, gânglios, olhos, e até mesmo todo o organismo.
Pode se comer de tudo enquanto estiver em tratamento? Sim. A dieta não muda em decorrência do tratamento da tuberculose. O doente pode manter sua alimentação habitual.
O paciente com tuberculose pode ingerir bebida alcoólica? Não deve. O paciente em tratamento deve evitar ingerir bebida alcoólica para não correr o risco de desenvolver lesões no fígado.
Existe vacina contra tuberculose? Sim. A vacina contra a tuberculose chama-se BCG e deve ser aplicada ao nascer. Essa vacina protege somente a ocorrência das formas graves da doença, que são a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa.
Existe alguma forma de controle e prevenção? Sim. É importante lembrar que a melhor forma de reduzir a disseminação e complicações da doença é a sua identificação precoce e o tratamento correto daqueles que estão doentes. Ter hábitos saudáveis de vida e manter uma boa ventilação na casa, deixando as janelas abertas para o ar circular, e permitir a entrada do sol são medidas eficazes para a prevenção da doença. Todo paciente com tuberculose pulmonar, ao tossir, deve ter o cuidado de cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ou papel higiênico, dificultando dessa maneira que os bacilos contaminem outras pessoas.
* Dra. Ana Mª Monteiro de Castro Médica de Saúde Pública da equipe do Programa de Controle da Tuberculose da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil
Publicado em 4/9/2009
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