Aproxima-se o período do Carnaval e necessitamos que a folia não interfira com nossa segurança, especialmente no trânsito. Relaxar, brincar e se divertir nessa época é muito importante para a maioria da população. Afinal, nosso cotidiano nos leva a um nível de stress muito grande e sempre aproveitamos um feriado prolongado para uma parada estratégica.
Entretanto, é indispensável que tenhamos em mente o aumento significativo de acidentes, feridos e mortos no trânsito nesse período. As tradicionais medidas de segurança devem ser redobradas: cuidados com os equipamentos dos veículos, com a velocidade, o sono e, principalmente, com a combinação "álcool e direção". Esta combinação, já denominada explosiva, está na ordem do dia desde meados do ano passado.
A Lei 11.705 (Lei seca no trânsito) proporcionou uma expressiva redução da morbimortalidade (morte causada por fatores externos, tais como acidentes e violência) no Brasil nos primeiros meses de sua vigência. O fato já faz parte de nossa história e o povo brasileiro pode contemplar esta vitória que dependeu, fundamentalmente, de sua aprovação e aceitação.
Tais normas são seguidas e aceitas por dois motivos principais: a percepção dos benefícios que ela trará para os indivíduos e a sociedade, e o receio com relação às sanções previstas. No Brasil, a alcoolemia (quantidade de álcool no sangue) zero para os condutores de veículos foi bem aceita pelos benefícios que tem demonstrado cotidianamente, desde 19 de junho de 2008. Para a população, a Lei não só "pegou" como se transformou também num "bem público", algo com que já contamos para nos proporcionar um trânsito mais digno e seguro. Todas as pesquisas de opinião divulgadas dão conta de sua aprovação pela grande maioria da população.
Esta nova realidade trouxe um pouco mais de tranqüilidade às ruas das grandes cidades, especialmente nas noites dos finais de semana. A segurança no trânsito ganhou espaço em todas as discussões travadas em rodas de amigos, universidades, locais de trabalho e de lazer e no convívio familiar. O comportamento de grande parte da população mudou e, agora, a maioria das pessoas discute previamente como será feito o deslocamento pessoal na eventualidade de acontecer o uso de bebidas alcoólicas. Este fato foi comprovado com a diminuição expressiva do percentual de motoristas flagrados conduzindo após o consumo de álcool durante as fiscalizações. A sociedade deu resposta adequada e ágil ao importante desafio e começou a colher frutos. O comportamento das pessoas agora é muito mais comprometido com a preservação da saúde e da vida.
Cabe ressaltar que existem várias alternativas para deslocamentos pessoais na eventualidade de acontecer consumo de álcool: transporte público, motoristas AMIGO DA VEZ previamente designados que não farão consumo de álcool e levarão os amigos para casa após os eventos, e a atual tendência de sair para locais próximos aos domicílios sem precisar usar veículos. Uma verdadeira postura de civilidade e cidadania.
É imprescindível que se tenha um comportamento seguro no trânsito, até porque não há proibição de consumir bebidas alcoólicas. A lei veda que motoristas conduzam veículos após o consumo.
Este momento nacional é especial para todos que trabalham com a prevenção de acidentes de trânsito. Poupar vidas no trânsito é gerar um bem comum. Quem seria parte da estatística? O importante é manter a vida e a integridade de todos. Curtir tudo que a cultura brasileira reserva para este período e voltar em segurança para casa após a folia.
* Fernando Duarte Lopes Moreira é especialista em Medicina de Tráfego, autor do livro A Mudança Cultural que Salva Vidas. |