Senac
 
Fecomercio
Rio de Janeiro

Sesc Tijuca

Notícias

Espetáculo "Crave ou Ânsia" chega ao Sesc Tijuca para temporada em fevereiro

Obra da dramaturga inglesa Sarah Kane, uma das responsáveis pelo impacto do movimento In-Yer-Face Theatre (na sua cara), estreia dia 08 de fevereiro, com direção de Cesar Augusto, no Sesc Tijuca.


publicado em 01-02-19

imprimir

Em “Crave” há uma mistura de conteúdo emocional extremo e inovação. A estrutura da peça permite a coexistência de variadas camadas de significado; o narrativo, o inconsciente, o emocional e o arquetípico; tornando-a rica principalmente pela sua potência cênica. O espetáculo cumprirá temporada de 08 a 24 de fevereiro, sempre às 20h, no Teatro I do Sesc Tijuca.

Nesta peça, vista como a mais madura e completa, Sarah Kane consegue renovar os conceitos de dramaturgia, desafiando e conduzindo o elenco aos limites do processo criativo. De um lado, seriedade e sofisticação são propostos pela forma, do outro, o conteúdo enigmaticamente jocoso e vivo é propulsionado por essa forma. Inicialmente a linguagem fragmentada convida os espectadores a jogarem também e, junto aos atores, irem à busca de uma lógica entre pensamentos que não parecem ter sido previamente filtrados. Em suas jornadas independentes e interdependentes, essas lógicas se desvelam e começam a virar movimento; influenciam umas as outras, se permeiam, caminham paralelamente e estão em constante mutação.

"Encenar um texto de Sarah Kane é sempre um desafio, e eu adoro desafios. "CRAVE" ou "ÂNSIA" é uma peça que mexe com as bases da dramaturgia, acolhe personagens que nem personagens são, são vozes, são reflexos, são espelhos de uma sociedade. Neste ponto, contemporânea, no caso de Sarah Kane na virada do século XXI. Sarah Kane é um prolongamento da dramaturgia Beckettiana ou de Harold Pinter e nisso o teatro agradece, os atores absorvem, a plateia se indaga e o teatro se faz da melhor forma possível, através da perplexidade, da inconstância e da imprevisibilidade. O teatro inteligente de Sarah Kane é sempre um desafio para quem quer estar presente na sociedade contemporânea". Cesar Augusto, diretor do espetáculo.

Assim como em Beckett e Pinter, que inspiraram “Crave”, o corte realizado com o drama tradicional reflete os anseios contemporâneos. A brutalidade que podemos enxergar ao nos depararmos com a vida, é contrastada com o amor e o humano; e o crescente autoconhecimento proporciona o encontro com a beleza mesmo nas situações mais cruéis. Neste sentido a forma dramatúrgica escolhida não é só forma estética, mas uma necessidade para que se exponha de forma precisa esse paradoxo.

A visão do mundo apresentada em “Crave” se torna ainda mais transparente ao considerarmos o que Sarah propõe como base; os atores são portadores de texto, não personagens. O fluxo de informações não obedece às regras do cotidiano, o que permite que a peça mergulhe no que é aleatório, desconhecido, e como tal impossível de ser justificado racionalmente.

"Encenar Sarah Kane é um desafio e tanto, estamos falando em uma dramaturgia muito singular e infinita em possibilidades ao se transportar para o palco. Tivemos a felicidade de ter conosco, nessa construção, um dos diretores mais preparados para esse percurso tão incerto e ao mesmo tempo tão rico. Cesar Augusto tem nos conduzido com muita maestria e afeto, num processo de pesquisa ímpar". Alexandre Galindo – Ator e Produtor

Os idealizadores se depararam com uma exímia liberdade da autora, conferida por sua vez aos atores, e é a partir dessa liberdade que se desdobram destinos, histórias, escolhas, curvas, bloqueios, desbloqueios, encontros, voltas para si e voltas para o outro. Diante da violência do mundo buscam-se soluções. O texto amplia a visão sobre a vida e as suas dinâmicas, ampliando também o caos e a organização que surgem nesses caminhos, à medida que se procuram novas ferramentas para traçar passos dentro de um imenso labirinto.

"Na primeira vez que li uma peça da Sarah, tive uma sensação que só se assemelhava à sensação que tive nas primeiras vezes que li Shakespeare. Era o assombro. Me deparava ali, com uma artista tão completa e que reflete com tanta lucidez a alma humana, que a incredulidade diante daquilo me parecia a única opção. Eu não acreditava no que estava lendo. O que eu lia era a alma humana decodificada e dissolvida em letras numa folha de papel. Mais tarde ficou mais claro para mim que isso se tratava simplesmente da habilidade artística elevada à sua máxima potência; a de observar a humanidade e imprimir experiências com tamanha vivacidade. E é com essa vivacidade que pretendemos levar a obra dessa grande dramaturga ao palco. De forma viva e íntegra." Elisa Barbato – Atriz e Produtora

SINOPSE

Em um universo de vozes, quatro personagens  expressam forte intimidade. Escrito por Sarah Kane, dramaturga referencia do teatro britânico do final do século XX, o espetáculo, envolto em poesia, amor e ódio, cria conexões,  numa trama cruel e abusiva, onde sujeito, tempo e espaço se apresentam indefinidos e refletem anseios contemporâneos.

SERVIÇOS

Teatro I SESC Tijuca – Rua R. Barão de Mesquita, 539 – Tijuca - RJ
Telefone da Bilheteria: (21) 4020-2101 – funcionamento ter. a sex., 7h às 21h | Sab., dom. e fer., 9h às 18h.
Temporada de 08/02 a 24/02/2019
Horários: De sexta a domingos às 20h00
Duração: 70 minutos
Classificação: 16 anos
Gênero: Pós-dramático
Lotação: 228 lugares
Observações: Vendas na bilheteria do Teatro