Senac
 
Fecomercio
Rio de Janeiro

Notícias

Um berço de pedra estreia no Sesc Ginástico

O espetáculo narra a história de cinco mães e a maternidade como resistência


publicado em 04-09-17

imprimir

O espetáculo Um berço de pedra é uma coletânea inédita de cinco textos do dramaturgo Newton Moreno escritos em tempos e espaços diferentes, com um tema em comum: A maternidade como resistência. Cinco visões, cinco universos distintos e cinco variações dramáticas repletas de humanidade e poesia.

A montagem, que retorna aos palcos da cidade em segunda temporada, intercala épocas, mitologias, espaços. As cinco cenas são gritos de mães perfuradas no ventre, comprimindo-as a perder e/ou defender suas crias, a restaurar e/ou fraturar o mundo pelo seu amor. Assim como em uma sinfonia, vários movimentos, ritmos, densidades e texturas distintas criam uma polifonia de significados e sensações, como descreve o encenador William Pereira.

O espaço cênico comum coberto de areia se transforma em jardim, deserto e prisão e estabelecem diálogo com a ação dramática. Areia, a terra infértil onde se sepultam os mortos, onde a semente não germina, metáfora de útero seco. Deserto de afetos e esperança. “Neste espetáculo, a palavra se faz música. Uma sinfonia de mães, um Stabat Mater polifônico e atemporal. O caráter “operístico” favorece a convergência de linguagens, os atores interagem com a música como parte marcante da narrativa”, acrescenta o diretor.

No primeiro texto, Canteiro, o espaço é um jardim onde se travará o diálogo e o embate entre duas mulheres: uma delas em busca o filho desaparecido durante a ditadura militar. Ao final, com o jardim todo destruído e sobre seus destroços inicia-se O caminho do milagre, um diálogo entre um presidiário e sua vítima de estupro, grávida. Nele há o encontro da benção e da maldição no mesmo ato violento. Um filho pode ser o começo do horror ou o final do suplício de uma mulher solitária. Será o perdão nossa única saída? Será que já estamos preparados para trazer o perdão ao mundo?

Medea é o terceiro texto, que também se passa em uma prisão, sendo a personagem título uma presidiária condenada por infanticídio: “Na noite do bote, encostei lábios de crianças em meu peito e alimentei. Enquanto sufocava-as com minhas garras doídas de fêmea feia, suja, nordestina, abandonada”. Nessa releitura de Medea, de Eurípedes, a mulher abandonada e humilhada é transmutada em arquétipo da brasileira excluída. Quarto texto, Um berço de pedra é um pungente poema sobre a condição feminina em áreas de conflito, que tanto poderia ser a Faixa de Gaza ou a periferia de uma grande metrópole brasileira.

No último, Tráfego, uma mãe vende seu filho em um semáforo, epílogo poético e doloroso repleto de memórias, reminiscências de mais um ser que dormiu em berço de pedra. Talvez, esperando que no ventre materno esteja sendo cultivada a redenção deste planeta, perdido em guerras, massacres, desrespeito, violações e infanticídios; apresentamos nosso diálogo cênico com a Grande Mãe que nos pavimenta o doloroso caminho. Ora arquétipo de Mãe Terrível, ora arquétipo de Mãe Bondosa; A Grande Mãe está em todas estas mulheres que compõem nossa caleidoscópica-peça-placenta. É uma canção de ninar sofrida, sufocada, atonal. Uma mão gigantesca que balança o mundo-berço, ora acalanto, ora espanto. A Terra e sua prole é quem sangra através destas personagens. Um novo mundo é o que queremos parir após as cortinas baixarem.

Serviço

  • Estreia dia 01 de setembro – às 20h
  • Temporada: 01 a 24 de setembro de 2017
  • Sesc Ginástico, Av. Graça Aranha, 187, Centro / RJ | Tel: (21) 2279-4027
  • Horários: sextas e sábados às 19h e domingos às 18h
  • Ingressos: R$ 6 (Associados Sesc), R$ 12 (para jovens até 21 anos, estudantes e maiores de 60 anos) e R$ 25 (inteira)
  • Bilheteria: terça-feira a domingo, das 13h às 20h.