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Espetáculo ‘As comadres’, no Sesc Ginástico, terá temporada prorrogada por mais duas semanas

Espetáculo musical traz a primeira direção de Ariane Mnouchkine pela primeira vez fora do Théâtre du Soleil


publicado em 16-05-19

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As Comadres’ é um projeto que nasce marcado por encontros e reencontros. Após quase 30 anos no Théâtre du SoleilJuliana Carneiro da Cunha desejava retornar aos palcos nacionais e trazer para cá toda a bagagem e o processo de criação da lendária companhia francesa. Com o auxílio de Fabianna de Mello e Souza e Julia Carrera, ela convidou Ariane Mnouchkine – fundadora e líder do grupo desde 1964 – para assumir a empreitada brasileira. O espetáculo, que estreou em 11 de abril no Teatro Sesc Ginástico, terá sua temporada prorrogada por mais duas semanas, até o dia 2 de junho.

A ideia inicial da encenadora foi montar As Comadres’, inspirada em ‘Les belle-soeurs’, peça do dramaturgo canadense Michel Tremblay escrita em 1965 e considerada o primeiro drama quebequense, pelo fato de o texto utilizar o joual, dialeto usado pela classe trabalhadora da cidade. Após virar um ícone e ser traduzido em mais de 25 idiomas, ele chega ao Brasil na versão musical do diretor francês René Richard Cyr. Desta maneira, o projeto marca a confluência de uma dramaturgia canadense com encenação francesa e equipe brasileira.

‘A peça foi uma bomba política, no sentido positivo. Ela revolucionou o teatro e a situação das mulheres no CanadáTremblay escreveu um texto terrível e, no fundo, extremamente feminista’, analisa Ariane, que escolheu o texto por acreditar em sua correspondência com a situação brasileira atual.

A ação acompanha um dia na vida de Germana, moradora de um bairro periférico que ganha um milhão de selos premiados e reúne amigas e familiares para colar os selos e conversar. Com o passar da tarde, diversas situações dramáticas se desenrolam e tem como pano de fundo questões contemporâneas, como opressão, repressão e desvalorização da mulher, além de falar sobre os desejos e frustrações da classe média.

Ariane ressalta que será fiel à concepção de Richard: ‘Quando vi em Paris, chorei de rir e também chorei de verdade. Então, eu não tenho motivo para mexer nisso. Portanto, seguiremos uma espécie de livro-modelo, como Brecht fazia com suas peças. Irei remontar a peça tal como Tremblay e Richard a escreveram e encenaram’, conta a diretora.

A versão nacional ganhará um revezamento das atrizes nos papéis, nos moldes do que é feito nos processos de criação do Théâtre du Soleil. Desta vez, a alternância seguirá pelas apresentações.

‘Diferentes atrizes atuam diferentes personagens, guardando suas particularidades, sem qualquer tipo de hierarquização ou julgamento de valor. Ganham as atrizes que se multiplicam em cena, ganha o público que assiste a diversas versões de um mesmo espetáculo, ganha o teatro brasileiro que vê suas possibilidades ampliadas com a passagem de Ariane Mnouchkine pelos palcos do país’, ressalta Julia Carrera, atriz, tradutora e uma das produtoras da montagem.

‘Ariane potencializa tudo isso porque o fazer teatral, para ela, é baseado na força do coletivo’, completa Fabianna de Mello e Souza, que esteve no Soleil por mais de uma década e também atua e produz o espetáculo. Também estão no elenco as atrizes brasileiras Sirléa Aleixo e Thallyssiane Aleixo, mãe e filha, respectivamente. Elas começaram a se enveredar nas artes cênicas no Sesc Paraty. 

AS COMADRES

Temporada: 11 de abril a 2 de junho
De quinta a sábado, às 19h. Domingos, às 18h.

Sesc Ginástico (Av. Graça Aranha, 187).
Ingressos a R$ 30 / R$ 15 (meia) / R$ 7,50 (habilitado Sesc) Entrada solidária: 50% de desconto mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, que será revertido para o projeto Mesa Brasil.
Vendas na bilheteria do teatro de terça a domingo, das 13h às 20h | Info.: (21) 2279-4027

Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos