Senac
 
Fecomercio
Rio de Janeiro

Notícias

Mostra fotográfica “Moda da Resistência” traz a perspectiva de quatro jovens fotógrafos sobre a moda no Veste Rio

Evento, realizado pelo Senac RJ e Sesc RJ, será entre os dias 17 e 21 de outubro no Pier Mauá


publicado em 17-10-18

imprimir

Entre os dias 17 e 21 de outubro, acontece a 6ª edição do Veste Rio no Píer Mauá. O lema desta edição é A Moda Aqui é Fazer Negócio, por isso o evento reúne salão de negócios, Outlet com as melhores marcas brasileiras e gastronomia. Haverá também, no Espaço Sesc, a exposição fotográfica “Moda da Resistência” organizada pelos artistas Andressa Núbia, Mariana Bernardes, Arthur Oliveira e Rafael Narciso.

“O espaço Sesc no Veste Rio será dedicado ao olhar de fotógrafos cariocas que irromperam no mercado com imagens de forte expressão estética. Uma curadoria coletiva retrata a moda das periferias, promove novos diálogos e troca likes por conexões afirmativas. Personagens reais retratados expressam suas identidades e manifestos de resistência por meio da moda. Atores sociais que reivindicam o foco para suas histórias e desafiam a indústria a se adequar à periferia e à diversidade, e não o contrário. Uma coletânea de imagens que também evidenciam os pilares da identidade negra da cidade e manifestam uma estética de questionamento aos padrões que rompem com a precariedade. Estilos se revelam para as lentes espalhando luzes para todos os lados de uma cultura libertária, transformadora, urbana, afirmativa, espontânea, criativa e ativista que potencializa a moda em um ambiente de inovação contínuo”, disse o fotógrafo Sérgio Duran, convidado para escrever o texto de apresentação da exposição.

Conheça um pouco da trajetória dos quatro fotógrafos que compõem a mostra:

Andressa Núbia - 19 anos - Caju - Rio de Janeiro - RJ

Fotógrafa e diretora de arte

Andressa Núbia é do Caju, Zona Portuária do Rio, e sempre sonhou em ser fotógrafa. Tanto que seu presente de 15 anos foi uma câmera fotográfica. Ela começou sua trajetória em 2014, num curso de jornalismo comunitário do  projeto Viva Favela, na Barreira do Vasco. Em 2015, fez outro curso de publicidade afirmativa e fotografia no Observatório de Favelas, no Complexo da Maré. “Eu sempre falo que a Maré foi meu grande professor da vida. Fotografar entre becos, ruas e vielas me fez entender quem eu era. Então, o clique que eu fotografava se tornou um autorretrato constante. Isso me fez também perceber o quanto representatividade era importante na construção de identidade.”, diz a artista, que hoje trabalha na Nayá, uma agência de conteúdo estratégico focada nas classes C e D, e é curadora de Novas Tecnologias no Gato Mídia, um espaço de educação em mídia e tecnologia para jovens do Complexo do Alemão. Recentemente, ela participou do projeto Contrast, da Rede Al Jazeera,  e agora está participando da curadoria coletiva da exposição Moda da Resistência para o Veste Rio. “Uma das vertentes da fotografia é pensar o afro-futurismo, as novas construções do negro, pensando o passado, o presente e o futuro. Então, quando eu penso o periferismo estético, não vou pegar o que mostram da periferia como “ruim” e tudo mais, mas vou pensar de forma afirmativa, pensar nessa construção de novas imagens, de novas narrativas, de forma potente e empoderadora. A gente que é da favela, da periferia, está acostumada a fazer coisas em conjunto. E fazer parte disso junto com pessoas que eu admiro também é muito rico”.

 

Arthur Oliveira - 24 anos - Rio de Janeiro – RJ

Fotógrafo e diretor de arte

O fotógrafo e diretor de arte Arthur Oliveira, natural do Rio de Janeiro, começou sua trajetória fotografando eventos da contra-cultura no Rio de Janeiro. Em 2017, lançou um projeto autoral chamado @recorttt, que busca registrar em filme analógico pessoas e seus recortes sociais, alheio a padrões da sociedade. Arthur chama a atenção para a Moda de resistência, um tema que abrange muito seu processo criativo. “A exposição veio para amarrar um processo de quase 5 anos registrando a cena noturna underground carioca e campanhas de moda. Hoje, como diretor de arte e fotógrafo, busco trabalhar a potência da resistência com um olhar bem editorial”. Ele define a mostra como “Um banco de registros que visa documentar a ruptura comportamental na moda. A convergência de tendências e adaptações que criam novos prismas modernos e disruptivos, vestimenta como movimento e documento.” Arthur traz em sua visão olhares de documentário sob um prisma moderno, o campo da moda dentro da margem. Segundo ele, cada artista desse projeto prevê seu olhar único e crítico ao tema apresentado. “É de extrema importância esse espaço cedido pelo Sesc RJ, para assim criarmos novas potências e dar visibilidade a projetos contra-cultura. Eu, como artista, me sinto contemplado e orgulhoso de fazer parte desse movimento”.

 

Mariana Bernardes - 24 anos - Nasceu no Rio de Janeiro, mora em São Paulo.

Fotógrafa, jornalista e curadora musical

Mariana Bernardes é carioca da gema, radicada em São Paulo. Começou a carreira escrevendo aos 14 anos e aos 16 terminou seu primeiro livro do poemas, “Demasias”. Aos 19 anos, começou a se interessar pela fotografia, entendendo-a  como uma forma de potencializar as narrativas escritas. Fazia fotos de festa e de vivências com os amigos, sempre em 35mm (câmera analógica), pois não tinha ainda uma câmera digital. Com o tempo, essa virou sua marca: fotografia jornalística em filme. Então, começou a colaborar para o Portal Kondzilla, cobrindo eventos de funk no Rio de Janeiro. Na sequência passou a colaborar também para a Revista Vice, com fotos, até que virou colaboradora do veículo. “É muito gratificante trabalhar de forma coletiva, ainda mais quando essa curadoria acontece junto a profissionais que eu gosto tanto e que tem o trabalho imagético tão forte e significativo. Tem sido uma experiência incrível”, disse ela sobre a exposição Moda da Resistência. “A moda é muito mais ampla do que as grandes mídias vendem. Ela está em todo lugar, das formas mais diversas, ela não é só sobre roupas e marcas. É sobre vivências e expressões pessoais”. Mariana acreditaque os olhares se diferenciam exatamente pelas vivências e experiências diversas dos fotógrafos. Ela aproveitou nosso papo para nos dar um pequeno panorama da exposição:  “Isso muda a forma como enxergamos e, consequentemente, fotografamos. A Núbia, com uma visão muito poética do povo preto, com peles reluzentes e tratamento impecável. O Rapha, com uma pegada bem fashion experimental, que eu sou louca. O Arthur, com essa pegada de registrar as vivências de forma muito natural, até quando é um ensaio/editorial acho que a sensação de intimidade que ele cria com os assuntos que ele fotógrafa transparecem muito através das imagens. E euzinha acredito que com uma pegada quase mais jornalística e até meio intrometida, sempre com muitas cores”.

 

Raphael Narciso - 28 anos - Madureira - Rio de Janeiro - RJ

Fotógrafo e cineasta

Raphael é formado em cinema pela PUC-Rio. Começou a fotografar documentando a cena underground “bixa” do Rio de Janeiro, já que tinha uma enorme curiosidade por esse mundo que, segundo ele, lhe foi negado. “Passei anos da minha vida sem saber da existência de uma cultura gay, e quando o meu processo identitário veio à tona, embarquei numa pesquisa desbravando a cidade em que eu morava pra conhecer as pessoas que estavam no mesmo bpm que o meu, que viviam na mesma frequência”. Sua relação com a moda ficou mais potente quando, em 2016, foi convidado por Thaissa Becho a co-criar a primeira campanha dela, “Aeróbica”. Em 2017, participou da residência órbita do Centro Brasileiro de Estudos em Design de Vestuário (Centro-br). E, como diretor de fotografia, estreia nos circuitos de festivais este ano com o filme “Jessika”, que recebeu Menção Honrosa no Festival Visões Periféricas e está selecionado para mostra competitiva do Festival do Rio, em novembro. “Nosso objetivo enquanto artista é inserir novas narrativas e representações dentro do mercado de moda. Quebrar a linguagem engessada do mercado de que a moda atende a um determinado público e diversificar e pluralizar essa conversa. Porque nós temos a responsabilidade pela sociedade que construímos, as imagens dessa exposição são os registros da nossa história.”, diz ele.

 

VESTE RIO

O Veste Rio se consagrou como a principal plataforma de moda do país, unindo Salão de Negócios, Outlet com as melhores marcas brasileiras e gastronomia. Para atender à crescente procura das marcas e proporcionar ainda mais conforto ao público, a sexta edição do evento, que apresentará as tendências do Outono-Inverno 2019, terá novamente como cenário o Pier Mauá, a área mais efervescente da cidade.

 

Acesse aqui a programação completa do Veste Rio 2018