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Banco Rio: fome de acabar com o desperdício

Projeto já distribuiu mais de 17 mil toneladas de alimentos a quem tinha fome


publicado em 20-07-16

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Acabar com a fome no país é um trabalho árduo e contínuo, que exige o emprego de muito esforço por parte de diversos setores sociais. Em dezembro de 2000, o Sesc RJ resolveu arregaçar as mangas e dar um passo além: criou o Banco Rio de Alimentos, um programa social pioneiro no estado do Rio de Janeiro.

Em um país onde milhares de pessoas ainda passam fome, o Banco Rio tornou-se um instrumento de grande importância, destacando-se como principal articulador de uma rede de solidariedade, atuando como um atalho que liga empresas doadoras de alimentos a instituições de assistência social.

O Banco Rio de Alimentos recolhe e distribui produtos em perfeitas condições de consumo, excedentes que seriam descartados para comercialização, a quem precisa. Entram nessa lista legumes, verduras, frutas, grãos e cereais industrializados, enlatados, iogurte, leite em pó, embutidos, proteínas congeladas (bovinos e suínos) e produtos industrializados como sucos, concentrados, pães e massas. Alimentos prontos para o consumo só são recebidos após analise microbiológica, em casos muito específicos.

Sandra Vânia de Abreu Reis, representante da Associação de Moradores de Curupaiti, vivenciou as mudanças que o projeto proporcionou ao bem-estar da comunidade em que atua:

- Antes da parceria com o Banco Rio de Alimentos, a instituição tinha muita dificuldade em oferecer um cardápio saudável e variado. No entanto, a mudança aconteceu até mesmo na aparência das crianças, que passaram a ter as faces mais rosadas, ganharam peso e demonstraram mais disposição para as atividades. E não foram somente os pequenos que se beneficiaram. Os idosos que tiveram legumes e verduras acrescidos a outros alimentos em suas dietas tiveram uma melhora considerável nas taxas de glicose, colesterol e triglicerídeos.

Fome de aprender

Instituições previamente cadastradas recebem, além do alimento, outras ações voltadas à valorização social e educação. Mensalmente, o Banco Rio de Alimentos organiza oficinas, palestras educativas e capacitações nas áreas nutricional e social, fomentando o fortalecimento das redes sociais. Os objetivos: estimular a mudança de hábitos e atitudes; formar multiplicadores; e melhorar a qualidade no atendimento às pessoas cadastradas nas instituições.

E dá certo. A ideia desenvolvida em um dos módulos educativos pela aluna Maria de Jesus, por exemplo, surpreendeu a todos: ela transformou uma caixa de leite, que seria descartada, em forma para bolo - mostrando que é possível criar receitas que, além de saborosas, são sustentáveis.

Maria de Jesus e sua forma de bolo feita a partir de uma caixa de leite

Quem também usou seus conhecimentos para melhorar a vida de muita gente foi a cozinheira - e agora oficineira, replicando seus conhecimentos – Daise Rocha, da Associação Beneficente São Martinho. Ela conta que, depois de ter perdido uma parceria que ajudava a manter as refeições da instituição, o Banco Rio de Alimentos foi fundamental para que seu trabalho não perdesse qualidade:

- Nós estávamos prestes a oferecer lanches em vez de refeições quando o Banco Rio entrou em nossas vidas. Com as oficinas, aprendemos a combater o desperdício. As crianças também passaram a adotar hábitos mais saudáveis, incorporando ao cardápio alimentos que até então não consumiam, como berinjela, jiló e chuchu.

Daise conta a mudança de hábitos é profunda e duradoura. Suas crianças, por exemplo, sugeriram que não houvesse mais lixo no refeitório, para que todos aprendessem a importância de botar no prato apenas o que vão comer. A transformação é tão forte, que acaba sendo refletida no comportamento das crianças em suas casas. Muitas mães agradecem a Daise pelo incentivo em introduzir legumes e verduras no prato de seus filhos, transformando os ingredientes em deliciosas receitas:

- Fazemos biscoito de berinjela, brigadeiro de chuchu e o famoso bolo de jiló, que agrada até mesmo aos adultos, pegos de surpresa quando revelamos do que ele é feito – diverte-se.

Redes Gastronômicas

Um desses projetos educativos é o Redes Gastronômicas, desenvolvido desde 2010. Ele foi criado com o objetivo de conscientizar as cozinheiras das instituições sobre o valor da alimentação saudável e sem desperdício,  estimulando a criação de receitas com aproveitamento integral de alimentos e com baixo custo com foco na gastronomia.

O fruto desse trabalho pode ser conferido nas publicações elaboradas a partir das experiências resultantes das ações educativas do projeto. Ao todo, já são três livros de receitas – e não apenas gastronômicas, já que há também relatos de como o projeto pode ser transformador para a vida dos participantes.

- Eu levo os conhecimentos do projeto Redes Gastronômicas tanto para minha vida pessoal, quanto para a instituição em que trabalho. Faço oficinas sendo multiplicadora de conhecimento e ajudando na melhoria da renda financeira das famílias – conta Andréa Moreira Santiago, aluna representante da Casa de Apoio à Criança com Câncer.

Priscila Campos, assistente social da Congregação Mariana do Hospital Colônia de Curupaiti, se viu em dificuldade quando, um dia, não havia em sua creche leite para ser servido no café da manhã das crianças. Foi quando uma funcionária, aluna do Projeto Redes, apareceu com a solução:

- Uma de nossas cozinheiras aprendeu a fazer leite de arroz. A ideia deu certo e as crianças adoraram a novidade. Durante as aulas, ela aprendeu também algumas técnicas de higienização e conservação dos alimentos, o que diminuiu o desperdício e aumentou a eficiência dos nossos atendimentos, combatendo o desperdício.

Priscila Campos, da Congregação Mariana do Hospital Colônia de Curupaiti

O Banco Rio em números

De dezembro de 2000 a junho de 2016, foram distribuídos mais de 17 mil toneladas de alimentos. Ao todo, são 259 instituições doadoras e 320 atendidas, fazendo com que cerca de 520 mil pessoas sejam beneficiadas.

No ano de 2016, a previsão de arrecadamento é de 600 toneladas de alimentos, atendendo 46 mil pessoas em 31 municípios do estado.

Curtiu as ações do Banco Rio? Quer colaborar?

O trabalho por aqui não para. Estamos constantemente intensificando as doações de alimentos junto aos parceiros do programa. O resultado: desde março deste ano, saímos de 22 para 78 toneladas de alimentos distribuídos a diversas instituições de assistência. Por isso, estamos precisando aumentar o número de voluntários que colaboram com a seleção de alimentos.

Se você tem mais de 18 anos, gosta de doar seu tempo e talento em prol de uma causa social, é dinâmico e tem disponibilidade para doar até quatro horas diárias, no máximo três vezes por semana, que tal ajudar o Banco Rio?

Quem quiser saber como atua um voluntário e conhecer mais de perto o trabalho pode comparecer diretamente no local, de segunda a sexta-feira, entre 8h e 17h. O Banco Rio funciona no Sesc Madureira, na Rua Ewbanck da Câmara, número 90. As turmas de sensibilização para novos voluntários acontecem toda primeira terça-feira de cada mês.

Mais informações em sescrio.org.br/banco-rio-de-alimentos