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Rio de Janeiro

Nossa História

Idealizado por lideranças empresariais do comércio em um contexto de mudanças políticas, econômicas e sociais - consolidadas pelo término da Segunda Guerra Mundial e pelo fim da Ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas -, o Sesc sempre teve como característica central a busca pelo desenvolvimento humano. Tendo isso como objetivo principal, durante toda a nossa trajetória, buscamos sempre oferecer atividades focadas na melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade.

No início dos anos 40, o Brasil passava por um momento de crescimento acelerado de setores produtivos, expansão do comércio de bens e serviços, que geravam um intenso processo migratório do campo para as grandes cidades e favorecia uma rápida urbanização. O Estado brasileiro, porém, não estava preparado para atender o aumento da demanda por serviços sociais, especialmente nas áreas de saúde e educação. Os atendimentos médicos e hospitalares eram muito precários e insuficientes para suprir as necessidades da população e os índices de contágios e morte por tuberculose, malária e paralisia infantil eram altos. Ao mesmo tempo, multiplicavam-se os movimentos sindicais pela garantia dos direitos trabalhistas.

Em maio de 1945, diante desse quadro propenso às tensões sociais, representantes empresariais da indústria, comércio e agricultura realizam, em Teresópolis, a primeira Conferência das Classes Produtoras (Conclap), que resulta na Carta Econômica de Teresópolis, uma espécie de análise conjuntural que propunha o combate à pobreza, o desenvolvimento das forças econômicas e a justiça social. Inspirados nesses princípios e recomendações, um grupo de empresários, liderado por João Daudt D’Oliveira (Comércio), Robero Simonsen e Euvaldo Lodi (indústria) e o educador Brasílio Machado Neto, elabora a Carta da Paz Social, que fundamenta a proposta inovadora de custeio dos serviços sociais dos trabalhadores com recursos das classes patronais.


Carta da Paz Social sendo assinada em Teresópolis. | Foto: Acervo Histórico do Sesc

Em setembro do mesmo ano é criada a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O órgão, presidido por João Daudt, logo recebe a incumbência de criar, organizar e administrar o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Após as recomendações da CNC, fundamentadas pela Carta da Paz Social, o presidente da República Eurico Gaspar Dutra institui então a criação do Sesc, através do Decreto-Lei nº 9.853, de 13 de setembro de 1946.
Nasce ali o Sesc, instituição de direito privado, sem fins lucrativos, administrada pelos empresários brasileiros – através de um Conselho Nacional, ligado à CNC –, pronto para iniciar suas atividades, primeiramente, com atendimentos de assistência à maternidade, saúde da criança e combate à tuberculose.

Cidadania em primeiro lugar
Após a fundação, o Sesc logo concentra seus esforços para oferecer  melhorias na qualidade de vida dos comerciários e suas famílias e promover o exercício da cidadania para toda a população. A entidade passa a oferecer, sobretudo, assistência em relação à problemas de âmbito doméstico (nutrição, habitação, vestuário, saúde e educação) e a promover práticas educativas e culturais, visando a valorização humana.

O local escolhido para o início desta atuação é o Rio de Janeiro – na época, Capital do País –, que além de sediar a Administração Nacional, passa a ser primeira cidade a ter uma Administração Regional, com a inauguração, em 3 de outubro de 1946, do Sesc no Distrito Federal.

A inauguração da Regional dá ainda mais força para que, em 1947, o Sesc possa contribuir efetivamente com a diminuição dos índices de mortalidade entre crianças e mulheres, devido a doenças crônicas e epidemias. Por meio de um convênio com a Prefeitura, a instituição passa a atuar, com seus programas e profissionais especializados, em cinco postos municipais de saúde, localizados em Copacabana, Gávea, São Cristovão, Riachuelo e Vila Isabel.


Em junho de 1947, a primeira Casa do Comerciário, que já oferecia atendimento clínico à população desde outubro de 1946, é oficialmente inaugurada no bairro de Engenho de Dentro. A solenidade conta com a presença do então presidente da república Eurico Gaspar Dutra. 


Engenho de Dentro recebeu a primeira unidade Sesc do país. | Foto: Acervo HIstórico do Sesc   

Ainda no mesmo ano, acontece a instalação da Unidade de Santa Luzia, no Centro do Rio, que ajuda a intensificar as atividades de assistência social e saúde, direcionadas à profilaxia da tuberculose e atendimentos pré-natal e pediátrico. O Sesc dava ali o seu pontapé inicial na contribuição por uma sociedade mais justa e igualitária.

Da maternidade à educação infantil
Visando não só a diminuição dos índices de mortalidade, mas também o bem estar de crianças de todas as idades, o Sesc inaugura em Ramos, no ano de 1948, a terceira Casa do Comerciário. Nela são iniciadas as atividades de Recreação Infantil, com a criação de um jardim de infância que passa a funcionar em dois turnos sob os cuidados de professores especializados.

Em 1949, com a inauguração da Maternidade Carmela Dutra, no bairro do Lins de Vasconcelos, a realização de serviços de maternidade – que aconteciam desde 1947 no bairro de Botafogo, por meio de um convênio com a Prefeitura carioca – se consolida e ganha ainda mais visibilidade. Com apenas um ano de funcionamento, a unidade recebe o prêmio Caduceu, concedido pelo Departamento Nacional da Criança, por ser o Hospital mais eficiente no combate à mortalidade materna e peri-natal.


Fachada do Hospital Carmela Dutra, em 1961. | Foto: Acervo Histórico do Sesc

Pouco tempo depois, em outubro de 1952, a Maternidade Imaculada Conceição é inaugurada, facilitando o acesso ao serviço de maternidade também à população de Niterói. Com essa missão emergencial cumprida, as duas maternidades deixam de pertencer ao Sesc, em 1964 – Imaculada Conceição – e 1973 – Carmela Dutra, e o Sesc volta sua atenção para outras áreas de atuação.

A expansão continua

A vontade de transformar cada vez mais vidas continua a todo o vapor e o processo de expansão do Sesc também. Em 1952, é inaugurada pelo próprio homenageado a Colônia de Férias Getúlio Vargas, em Nogueira.
Veio então a segunda metade da década de 1950, marcada fortemente pelo ritmo acelerado de crescimento do setor industrial e impulsionada pelo Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitschek. O aumento gradativo da população de comerciários passa a ser acompanhado de perto pelo Departamento Regional do Distrito Federal, que em 1960, com a transferência da Capital para Brasília, começa a ser designado como Departamento Regional do Sesc na Guanabara.

No começo de 1960, o Departamento Regional da Guanabara já atende os comerciários e seus familiares nas unidades de Santa Luzia, Engenho de Dentro, Ramos, Copacabana (Casa de Pedra), Tijuca, Madureira e Irajá. A partir desse ano, a entidade diminui as atividades com características meramente assistenciais e passa a valorizar ações socioeducativas, voltando sua atuação para os campos da Educação, Saúde, Cultura e Lazer.

Além disso, na mesma época, o Sesc inicia também a oferta de atividades focadas exclusivamente no público acima de 65 anos, o que faz com que a expressão Trabalho Social com Idosos (TSI) ganhe força e visibilidade.


Padrão de referência
Em 1975, com a fusão os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, o Sesc inicia o processo de junção dos seus respectivos Departamentos Regionais (DF/GB e DR/RJ). Na instalação do Conselho Regional e do Departamento Regional no estado do Rio de Janeiro, em 1977, o Sesc já conta com Centros de Atividades em Petrópolis, Campos, Três Rios, Ramos e São João de Meriti.

Neste mesmo ano, é inaugurado o Sesc Tijuca, em cerimônia com a presença do presidente Ernesto Geisel. Com projeto paisagístico de Burle Marx, a Unidade passa a ser referência de atendimento, com espaços socioculturais, como: teatros, quadra poliesportiva, parque aquático, salas de uso múltiplo, biblioteca, restaurante, brinquedoteca, setores médicos e odontológicos.

As ideias e os estudos do Sesc Rio sobre o lazer passam a embasar as propostas de diversificação das atividades e serviços da entidade. O sucesso é tão grande que, consequentemente, os projetos das novas instalações seguem o mesmo padrão.


Ampliando seu atendimento e sua atuação
Nas décadas de 1980 e 1990, o Sesc amplia os serviços de atendimento em educação, saúde, cultura, lazer, esporte, turismo social e assistência, visando atender as demandas provocadas pelo cenário econômico da época. Ainda neste período, são consolidados os processos operacionais e ações técnicas que abrangem o Trabalho Social com Idosos (TSI), a Educação Ambiental, a Ação Comunitária e a integração entre as diversas áreas de atividades, associando esportes, artes e recreação com caráter educativo.

O crescimento estrutural da instituição também era aparente. Nesses 20 anos foram inaugurados mais cinco novas Unidades: Madureira (1980), Nova Friburgo (1984), Barra Mansa (1986), Nova Iguaçu (1993) e São Gonçalo (1998).

Em 1989, o Turismo é fortalecido com a inauguração da Pousada do Sesc Nova Friburgo; em 1995, mais um meio de hospedagem de expressão é criado e a cidade do Rio de Janeiro ganha o Hotel Sesc Copacabana, especialmente projetado pelo arquiteto Oscar Niermeyer com um conceito diferenciado, associando unidade hoteleira com espaço cultural. Seis anos depois, o Sesc inaugura a Pousada de Teresópolis, levando até a Serra Fluminense outra nova Unidade hoteleira.


Sesc Copacabana nos anos 90. | Foto: Acervo Histórico do Sesc

No mesmo ano acontece a criação do Banco Rio de Alimentos, atualmente conhecido como Mesa Brasil Sesc. Situado nas instalações da Unidade operacional de Madureira, essa iniciativa de solidariedade social rapidamente se consolida como um marco inovador voltado à doação e à diminuição do desperdício de alimentos.

O início do século XXI é marcado pela inauguração, em 2001, da atual sede no bairro do Flamengo, cujo moderno prédio é ladeado por um casarão do início do século XX, totalmente restaurado, que abriga o Arte Sesc; pela criação do projeto de Internet Livre – espaço voltado para a democratização do acesso à internet –, implementado em quatro unidades no ano de 2003; e, dois anos depois, pela abertura do icônico Teatro Sesc Ginástico, após longas obras de revitalização e modernização.

Pouco tempo depois outro momento importante acontece quando o Sesc assume, em 2007, a administração do Palácio Quitandinha, em Petrópolis, e passa a oferecer os seus serviços em um dos prédios mais famosos da cidade.


Desde 2007, o Palácio Quitandinha é administrado pelo Sesc. | Foto: Acervo Histórico do Sesc

Hoje, consolidado, o Sesc Rio atua na capital e no interior do estado por meio de 21 Unidades fixas e 11 Unidades móveis. Suas atividades englobam as áreas de cultura, saúde, turismo social, assistência, educação, sustentabilidade e esporte. Tudo isso é oferecido a comerciários e familiares, população em geral, englobando ainda atendimentos diferenciados a estudantes da rede pública de Educação Básica e pessoas com renda familiar de até três salários mínimos nacionais, por meio do Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG).


Sesc retoma Educação Infantil com escolas em Niterói e Nova Iguaçu. | Foto: Hélio Melo