29 e 30 de maio de 2026

Auditório do Arte Sesc – Espaço Cultural
Rua Marquês de Abrantes, 99 – Flamengo

 

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Seminário do Sesc RJ debate circulação do cinema brasileiro, formação de público e curadoria audiovisual

III Seminário de Curadoria em Cinema e Audiovisual reúne pesquisadores, cineastas e curadores para discutir circulação internacional, memória e formação de público.

Nos dias 29 e 30 de maio, o auditório da Fecomércio RJ, no Flamengo, recebe o III Seminário de Curadoria em Cinema e Audiovisual, encontro que reúne profissionais, pesquisadores, cineastas e agentes culturais para discutir os desafios, transformações e perspectivas da curadoria no Brasil e no mundo contemporâneo. As inscrições estarão abertas a partir de 18 de maio, por meio de um formulário online.

Realizado pelo Sesc RJ, o Seminário chega à sua terceira edição consolidado como um espaço de reflexão crítica sobre a curadoria em cinema e suas conexões com outros territórios da imagem contemporânea. Ao longo dos últimos anos, o evento vem promovendo debates sobre circulação, preservação, mediação e construção de memória a partir das imagens e de seus contextos de exibição.

Nesta edição, a programação propõe discussões sobre a presença do cinema brasileiro no circuito internacional e suas relações com países do Sul Global; os processos de pesquisa e descoberta que atravessam o trabalho curatorial; experiências de formação e ensino na área; circuitos alternativos de exibição e formação de público; além das interlocuções entre cinema, artes visuais e outras linguagens artísticas.

A programação contará com mesas, debates e atividades formativas ao longo dos dois dias. Entre os destaques estão a aula magna de homenagem a Dom Filó, fundador da Cultne, maior acervo audiovisual dedicado à cultura negra na América Latina, com mediação de Emílio Domingos; a mesa “Cinema brasileiro em circulação: curadoria, internacionalização e Sul Global”, com Antonio Molina, Eduardo Valente e Mariana Queen Nwabasili; além de debates sobre pesquisa como prática curatorial, formação de públicos, circuitos alternativos de exibição e experiências de formação em curadoria. O encontro também recebe o lançamento do livro Curadoria em cinema: do pensamento em ação, com participação de Izabel Melo e Janaína Oliveira, e encerra sua programação com apresentação musical de Simone Mazzer.

A edição de 2026 também inaugura uma série de homenagens dedicada a personalidades fundamentais para a história do cinema, da preservação audiovisual e da cultura brasileira. O primeiro homenageado será Dom Filó, documentarista, jornalista, ativista e fundador da Cultne, organização responsável pelo maior acervo audiovisual dedicado à cultura negra na América Latina.

Para além da discussão de práticas curatoriais, o Seminário propõe uma reflexão sobre os modos como as imagens circulam, permanecem e produzem sentidos na contemporaneidade. Em um contexto marcado por disputas de memória e visibilidade, pensar curadoria também significa discutir quais narrativas ganham espaço, quais histórias alcançam reconhecimento e quais memórias resistem aos processos de apagamento cultural.
Confira a programação completa em https://www.sescrio.org.br/curadoriaemcinema/.

SERVIÇO
III Seminário de Curadoria em Cinema e Audiovisual
Local: Auditório da Fecomércio RJ (Rua Marquês de Abrantes, 99 – Flamengo)
Datas: 29 e 30 de maio
Abertura das inscrições: 18 de maio

Programação - 29 de maio

10h | Aula Magna com Dom Filó

Arquivar a presença: memória audiovisual negra e o legado da Cultne

com Dom Filó
Mediação: Emílio Domingos

Fundada por Dom Filó, a Cultne constitui hoje o maior acervo audiovisual dedicado à cultura negra na América Latina. Reunindo décadas de registros sobre movimentos sociais, manifestações culturais, políticas, artísticas e experiências negras no Brasil, seu trabalho opera como enfrentamento direto ao apagamento histórico e à precarização da memória audiovisual negra. Nesta aula magna de homenagem, Dom Filó (documentarista, jornalista e ativista) compartilha sua trajetória como idealizador de um projeto de preservação que transformou o arquivo negro em instrumento de permanência, disputa narrativa e construção histórica.

11h15 | A pesquisa como prática curatorial: prospecções e invenções de novos imaginários

com Izabel Melo, Júnia Torres e Melina Bomfim
Mediação: Camila Macedo

Programar filmes tem o potencial e a capacidade de provocar novas imaginações, olhares e visões de mundo. Muitas vezes opera num jogo de reconhecimento, valorização, legitimação e descobertas de filmes e cineastas, agenciando visibilidades e apagamentos que interferem diretamente na construção/fabricação da história. Diante do conjunto de ações que constituem o processo curatorial – como formar, prospectar, pesquisar, documentar, analisar, reunir e exibir filmes – esta mesa se dedica a pensar esta atividade, especialmente no que diz respeito à pesquisa como prática que atravessa o trabalho de curadoria. Interessa-nos explorar as interseções entre curadoria, acervos, documentos e história, buscando refletir sobre as dimensões políticas, éticas e estéticas implicadas nestas tramas que articulam passado, presente e futuro.

16h | Curadoria como forma de dar a ver filmes: formação de públicos e circuitos alternativos de exibição

com Nina Tedesco, Polly Di e Thaís Brito
Mediação: Tetê Mattos

Faz parte do exercício da curadoria pensar em formas de dar a ver filmes. Esta dimensão pública e coletiva de visionamento das obras envolve escolhas que incidem diretamente na formação de públicos e no modo como os filmes são endereçados. Nesta mesa, buscamos refletir sobre as iniciativas de difusão e circulação das obras que experimentam formas mais inventivas de exibição em territórios não institucionalizados, mobilizando estratégias contra-hegemônicas de visibilidade de múltiplos sujeitos históricos, e consequentemente, enfrentando os desafios implicados nas lutas por transformação social.

Programação - 30 de maio

10h | Lançamento do livro - “Curadoria em cinema: do pensamento em ação”

com Izabel Melo e Janaína Oliveira
Mediação: Tetê Mattos

O lançamento do livro Curadoria em cinema: do pensamento em ação propõe uma conversa sobre a consolidação do campo da curadoria em cinema e audiovisual no Brasil a partir das experiências e formulações de sete pesquisadoras e curadoras. Reunindo trajetórias que atravessam festivais, mostras, cineclubes, pesquisa acadêmica e formação, a publicação articula reflexões sobre curadoria como prática crítica, mediação política e disputa de imaginários. Neste encontro, Izabel Melo e Janaína Oliveira, representantes das demais autoras — Amaranta Cesar, Carla Maia, Carol Almeida, Ingá Patriota e Kênia Freitas — discutem os modos pelos quais o exercício curatorial pode operar como intervenção contra-hegemônica nos regimes de visibilidade do cinema contemporâneo.

11h15 | Cinema brasileiro em circulação: curadoria, internacionalização e Sul Global

com Antonio Molina, Eduardo Valente e Mariana Queen Nwabasili
Mediação: Janaína Oliveira

Festivais e mostras internacionais desempenham papel decisivo na circulação, legitimação e disputa de narrativas sobre o cinema brasileiro contemporâneo. Ao mesmo tempo em que ampliam o acesso a diferentes cinematografias e modos de produção, esses espaços também evidenciam desigualdades históricas nos fluxos globais de visibilidade e reconhecimento. Esta mesa reúne curadoras e curadores cujas pesquisas e práticas se dedicam às conexões entre o cinema brasileiro e circuitos internacionais, especialmente a partir de perspectivas descoloniais e de diálogos com o Sul Global. Em debate, estarão os atravessamentos entre curadoria, circulação internacional, mediação cultural e políticas da imagem.

16h | Formação e prática curatorial: fronteiras, mediações e experiências

com Carolina Rodrigues, Jean Carlos Azuos e Marina Meliande
Mediação: Milena Manfredini

Esta mesa propõe refletir sobre a formação e a prática curatorial tanto no cinema quanto em interlocução com as artes visuais. Em um contexto marcado pela ampliação de laboratórios, programas formativos e iniciativas independentes, discutir o ensino e o exercício da curadoria também significa pensar quem pode acessar esses espaços, quais repertórios são legitimados e quais práticas emergem fora dos circuitos institucionais tradicionais. A partir de experiências ligadas ao cinema, à arte contemporânea e à formação crítica, os participantes discutem modos de transmissão, mediação e experimentação curatorial voltados à construção de novas perspectivas de criação e pensamento nas fronteiras entre cinema e artes visuais.

18h15 | Apresentação musical com Simone Mazzer

com Simone Mazzer (voz) e Arthur Martau (vocais, guitarra e violão e direção musical)

O show “Mazzer Re-Mix” reúne canções da trajetória de Simone Mazzer desde 2015, incluindo sucessos próprios, músicas de álbuns recentes, composições de outros artistas e inéditas, formando um repertório diverso que reflete sua liberdade criativa e artística. A proposta revisita diferentes fases de sua carreira — desde o início em Londrina até trabalhos mais recentes — criando uma espécie de linha do tempo musical, sempre aberta a novas influências e experimentações. Com formato reduzido, mas mantendo sua identidade sonora, Mazzer se apresenta ao lado de Arthur Martau, que explora efeitos em guitarra e violão para valorizar as canções e destacar a expressividade da cantora em uma performance contemporânea, desenhada pelo tempo e inquietações musicais dos artistas.

Sobre o seminário

Entre arquivos, festivais, museus, cineclubes, plataformas digitais e circuitos independentes, as imagens circulam hoje em velocidades e escalas sem precedentes. Essa ampliação dos fluxos, no entanto, não significa necessariamente democratização de visibilidade. Ao contrário: em um contexto marcado pela concentração dos regimes de circulação e legitimação cultural, pensar curadoria implica também refletir sobre as estruturas que determinam o que ganha permanência, o que atravessa fronteiras e aquilo que permanece à margem dos arquivos, das telas e da história.

Chegando à sua terceira edição, o Seminário de Curadoria em Cinema do Sesc RJ se consolida como um espaço dedicado à reflexão crítica sobre as múltiplas dimensões da curadoria no cinema e em diálogo com outros territórios da imagem contemporânea. Ao longo dos últimos anos, o encontro vem reunindo curadoras, curadores, pesquisadoras, pesquisadores, cineastas e agentes culturais de diferentes trajetórias para discutir modos de circulação, preservação, mediação e construção de memória a partir das imagens e de seus contextos de exibição.

Nesta edição, o Seminário propõe debates em torno da circulação internacional do cinema brasileiro e de suas conexões com o Sul Global; das práticas de pesquisa e descoberta que atravessam o trabalho curatorial; das experiências de formação e ensino da curadoria; dos circuitos alternativos de exibição e formação de público; e das interlocuções entre cinema, artes visuais e outras linguagens artísticas. Em um país onde políticas culturais, historicamente, oscilam entre avanços, descontinuidades e desmontes institucionais, discutir circulação, preservação e acesso às imagens também significa pensar as condições materiais e políticas que sustentam a produção cultural no longo prazo.

Mais do que um exercício técnico de seleção e organização de obras, a curadoria envolve escolhas éticas, estéticas e políticas que atravessam diretamente os modos de ver, narrar e produzir memória. Nesse sentido, a edição de 2026 inaugura uma série de homenagens dedicada a personalidades fundamentais para a história do cinema, da preservação audiovisual e da cultura no Brasil. O primeiro homenageado do Seminário é Dom Filó, documentarista, jornalista, ativista e fundador da Cultne, organização responsável pelo maior acervo audiovisual dedicado à cultura negra na América Latina.

Ao longo de décadas, a Cultne vem construindo um trabalho decisivo de preservação da memória negra brasileira, reunindo registros audiovisuais de manifestações políticas, culturais e artísticas historicamente negligenciadas pelos arquivos oficiais. Mais do que preservar documentos, seu trabalho afirma a memória negra como presença ativa, permanente e incontornável na história do país, transformando o arquivo em instrumento de disputa narrativa, permanência e construção histórica.

O III Seminário de Curadoria em Cinema propõe, assim, um espaço de elaboração crítica sobre os modos como as imagens circulam, permanecem e produzem sentidos no mundo contemporâneo. Pensar curadoria hoje também significa disputar as estruturas que determinam o que permanece visível, quais histórias alcançam reconhecimento e quais memórias resistem às sucessivas políticas de apagamento.