A Caminho de um Ensino Híbrido

Por: Claudia Tona

Fevereiro, tempo em que as Escolas de Educação Infantil e o projeto Sesc+ Infância retomam as atividades com as crianças e suas famílias; professores voltam de suas férias e se preparam para recebê-los. Bem antes disso, porém, a Equipe Pedagógica planeja e implementa ações para aperfeiçoamento e aprimoramento de saberes, por meio do Projeto Vivências – Formação Continuada dos Profissionais de Educação.

Tendo em vista os acontecimentos dos últimos meses, ainda retornaremos com a Educação Remota, evoluindo gradativamente para o Ensino Híbrido, até que seja possível a forma presencial segura, pois sonhamos com nossa escola cheia dos sons, das cores e do movimento brincante que a proximidade com as infâncias proporciona.

Entretanto, até lá, muitos são os questionamentos, os dilemas e as incertezas vivenciados por todos nós, da Educação, em 2020. Queremos fazer o melhor; é fundamental que nossos princípios e concepções sejam preservados e nossa relação com os sujeitos de aprendizagem seja tão afetuosa e acolhedora quanto sempre foi, em todas as circunstâncias.

Pensando nisso, a Escola Sesc Niterói vem mantendo um diálogo bem próximo com professores de outras instituições, criando uma rede de contatos para refletir sobre o momento tão peculiar no qual estamos. No dia 3 de fevereiro, ampliaremos esses diálogos para que possamos começar o ano letivo de forma reflexiva e empática: Educadores e Educadoras em um Encontro com duas etapas.

Uma Roda de Conversa com o tema “Educação no Século XXI: no meio do caminho tinha um vírus…”, tendo a participação do professor Lucas Peres Guimarães (inserir link do texto), Doutorando em Ensino de Ciências, autor do livro Lavoisier na Sala de Aula. Lucas define seu trabalho com a seguinte ideia: “Um cientista no seu laboratório não é apenas um técnico: é, também, uma criança colocada à frente de fenômenos naturais que impressionam como se fossem um conto de fadas.”, de Marie Curie. Também receberemos a professora Monique Ferreira Marques Meirelles (inserir link do texto), Pedagoga, Especialista em Deficiência Visual, Formadora de Professores e Apaixonada pelas Infâncias, que vivencia em sua prática a citação: “Se fazemos coisas reais, também serão reais as suas consequências.”, de Loris Malaguzzi.

A segunda etapa será a oficina “Desenho: deixando fluir vivência e criatividade”, ministrada pela Arte Educadora Carla Giovana Silva de Castro Rolim (inserir link do texto), Especialista em Ensino da Arte – Estética Moderna e Contemporânea e Especialista em Gestão Escolar. Em suas concepções, Carla encontra afinidade com Merleau Ponty, quando ele diz: “O sentido habita a coisa assim como a alma habita o corpo.”

As duas atividades se conectam através do sentido de Ética e Estética, pela necessidade de desconstrução de práticas que até então prevaleciam no ambiente escolar para (re)construir de forma voluntária – com  intencionalidade – as novas formas de ensino-aprendizagem para o Século XXI, a partir de 2021, como afirma Michel Foucault, em seus “Ditos e Escritos”:

As “artes da existência” devem ser entendidas como as práticas racionais e voluntárias pelas quais os homens não apenas determinam para si mesmas regras de conduta, como também buscam transformar-se e modificar seu ser singular, e fazer de sua vida uma obra que seja portadora de certos valores estéticos e que corresponda a certos critérios de estilo. (FOUCAULT, 1983, p. 198-199).

Fortaleceremos assim, o desejo de fomentar/estabelecer essa rede de pesquisa, documentação e discussão, para além muros, pois somos um todo e somos um em muitos.

Assim, com o coração acelerado, cheios de esperança – do verbo esperançar, abriremos um novo ano letivo – um ano renovado – pleno de recém-nascidos sentidos.