Um vírus no meio do caminho que mudou o percurso da escola

Por: Lucas Peres Guimarães

Começaremos a nossa reflexão com Carlos Drummond de Andrade e o seu poema, “No meio do caminho”. Com a licença do leitor deste texto e do próprio poeta, substituirei a palavra “pedra” por “vírus”:

No meio do caminho tinha uma pedra (vírus)
Tinha uma pedra (vírus) no meio do caminho
Tinha uma pedra (vírus)
No meio do caminho tinha uma pedra (vírus)
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas

O trabalho docente, sem dúvida alguma, nunca foi fácil e sempre foi desafiador. Agora, mais do que nunca, esta realidade é intensificada, pois a Pandemia do COVID-19 fez com que a escola ganhasse novos significados na garantia do processo de ensino-aprendizagem mediante as (im)possibilidades impostas pelo vírus.

A normalidade anterior não existirá mais. A escola terá que ocupar um novo espaço na sociedade, pois o vírus no meio do caminho, mudou o nosso percurso com reflexões que anteriormente estavam em segundo plano, nunca nos esqueceremos deste acontecimento.

Mudanças não são simples; a COVID-19 nos mostrou como a desigualdade social é tão evidente ao nosso redor e, apesar de estarmos isolados, pensamentos coletivos e humanitários se tornaram prioridade nas nossas aulas. Vimos, muitas vezes, acontecer a educação que emancipa o indivíduo, como Paulo Freire afirmava.

O ensino híbrido, termo mais usado em 2021, não foi algo “inventado” para esse momento. Sua principal perspectiva está relacionada com o fato do processo ensino-aprendizagem não começar e terminar no espaço demarcado para a sala de aula; o vírus nos mostrou que as quatro paredes desta sala não são mágicas, o aluno pode aprender fora dali. Vimos acontecer diante dos nossos olhos em 2020! Definitivamente, não foi um ano perdido, foi um ano diferente!

Não tenho receitas para o novo ano letivo que está para começar, mas precisaremos esperançar por um mundo com uma maior justiça social e isso, pode começar com a superação e inovação da nossa prática pedagógica.

Talvez você tenha chegado até aqui esperando que lhe fosse oferecida uma lista de softwares ou teorias pedagógicas, como se tirássemos um coelho da cartola e todas as interrogações desse novo ano letivo fossem resolvidas, mas, infelizmente, frustrarei esta expectativa. Se tivesse que listar algumas características que devemos levar para esse ano, estas seriam:

  • Construir redes de diálogos com colegas da mesma escola e fora da escola, gerando sinergia;
  • Superar o isolamento de sala de aula; suas dificuldades precisarão ser discutidas.

Não há no mercado produto educacional melhor do que a interação entre os principais atores do processo educativo: o professor e os alunos. Vamos valorizar a boa relação humana que existe dentro da sala de aula, ampliar a relação família e escola e nos tornar aprendentes nesse momento em que a escola ganha novos contornos de ação na sociedade.