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De olhos bem abertos para o cinema japonês

Mostra cinematográfica em Engenho de Dentro exibe oito longas que apresentam ao público a riqueza da sétima arte nipônica


publicado em 03-05-16

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A trajetória do cinema japonês se mistura com a História do país, que precisou aprender a lidar com tragédias naturais, escassez de matéria-prima, conflitos étnicos e até duas explosões de bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, extremamente organizados e apegados às tradições, o Japão sempre manteve seus valores e sua religiosidade atrelados à produção cultural.

Com a sétima arte não foi diferente: os cineastas nipônicos foram capazes, ao longo do tempo, de criar obras originais e cheias de encantamento, chamando a atenção de espectadores do mundo inteiro para sua peculiar forma de encarar o ciclo da vida – ainda que o mesmo sofra com a interferência de terremotos, maremotos, desastres nucleares etc.

O cinema chegou à pequena ilha do Pacífico no fim do século 19. Uma vez que à época os filmes eram mudos e as cartelas de diálogos eram escritas em inglês, num idioma completamente diferente do japonês, as salas de cinema precisaram se adaptar à nova forma de arte. As sessões contavam com a presença de um benshi, uma pessoa que reproduzia os diálogos, interpretando as vozes dos vários personagens durante a projeção.

Em pouco tempo os cineastas japoneses foram absorvendo as técnicas e as formas de produção cinematográficas. Criaram roteiros memoráveis sobre seus mitos e lendas, que falavam sobre antigas monarquias, samurais, xoguns e espíritos ligados a forças da natureza. Em 1923, o grande terremoto de Tokyo destruiu os estúdios que haviam se erguido na capital. Acostumados a hecatombes, os japoneses rapidamente reconstruíram sua indústria cinematográfica, que agora assumia um papel importante na difusão e na preservação de sua identidade cultural.

O cinema japonês pós-guerra

Foi no período da Segunda Guerra Mundial que o cinema japonês começou a sofrer grandes transformações. Inicialmente – e invariavelmente -, os filmes passaram a adquirir contornos de propaganda ideológica e política, como já ocorria no resto do mundo. No entanto, com o fim do conflito, a agitação social que tomou conta do país (devastado pela vitória dos Aliados) serviu de inspiração para o surgimento de grandes cineastas, reconhecidos mundialmente até hoje. Pode-se dizer que o pós-guerra foi fundamental no fortalecimento do cinema japonês para o mundo, que começava a prestar atenção em suas histórias.

Foi nessa época que o diretor Akira Kurosawa, talvez o nome mais importante da sétima arte nipônica, surgiu para o mundo. Sua estreia em 1943, com o filme A saga do judô (Sugata Sanshiro), foi acompanhada de bastante interesse por parte dos produtores ocidentais. De forma meteórica, Kurosawa se tornou o cineasta japonês preferido dos ocidentais. Seus filmes influenciaram diversos diretores contemporâneos ao redor do mundo.

Dentre as influências mais curiosas está a saga Guerra nas Estrelas, de George Lucas, admirador confesso de Kurosawa. A história de Luke Skywalker, bem como seus personagens, é inspirada em A Fortaleza Perdida. Outros diretores norte-americanos que têm Kurosawa como influenciador são Martin Scorcese e Steven Spielberg. Vários westerns famosos, inclusive os de Sergio Leoni, também são adaptações de obras do cineasta japonês. No caso, os samurais eram substituídos por caubóis.

O pós-guerra e a influência dos Estados Unidos no Japão também fortaleceram as animações japonesas – conhecidas como animes. Na época, muitos artistas tiveram contato com a cultura ocidental com os desenhos da Disney, que chegavam ao Japão e despertavam a curiosidade de produtores e diretores. A técnica foi então sendo aprendida, e a ela foi somada toda a riqueza cultural japonesa, com seus contos e lendas repletos de fantasia. O resultado não poderia ter sido outro: com desenhos estética e artisticamente diferenciados, o mundo mais uma vez voltava os olhos à terra do sol nascente. Grandes estúdios de animação, como a Toei, ganharam notoriedade rapidamente, tendo suas produções distribuídas no mundo inteiro.

Um olhar sobre o cinema japonês

Durante o mês de maio, sempre nos fins de semana - e no feriado de Corpus Christi -, o Sesc Engenho de Dentro abriga a mostra Um olhar sobre o cinema japonês, com a exibição de longas de ficção e animações, seguidos de debates. O público terá a oportunidade de conhecer, além dos clássicos de Kurosawa, alguns exemplares da nova geração de realizadores, como Hirokazu Koreeda, passando pelas mundialmente aclamadas animações do diretor Hayao Miyazaki.

Não perca essa oportunidade de entrar em contato com a cultura nipônica. As sessões são gratuitas e começam às 15h. Confira trailers e sinopses abaixo e programe-se. Ah, a pipoca é por nossa conta!

Programação

7/5 – Yojimbo, de Akira Kurosawa (1961)
A história se passa em 1860 e se baseia na chegada de um ronin a uma cidade que sofre com a guerra entre duas gangues. Ele se aproveita de sua perspicácia para levantar dinheiro e, ao mesmo tempo, livrar a cidade das gangues rivais, ora associando-se a um grupo, ora associando-se a outro, tirando proveito da situação e manipulando-os.

8/5 - Sanjuro, de Akira Kurosawa (1962)
Um grupo de jovens idealistas, determinados a limpar a cidade deles da corrupção, é auxiliado por um samurai cínico e desalinhado que não se encaixa no conceito de um nobre guerreiro.

14/5 - Nausicaä do Vale do Vento, de Hayao Miyazaki (1985)
A humanidade se esforça em sobreviver em um mundo em ruínas, dividido em pequenas populações e impérios, mil anos após os 7 Dias de Fogo, um evento que destruiu a civilização humana e a maior parte do ecossistema da Terra. Nausicaä é a princesa de um pequeno reino do Vale do Vento que tenta salvar seu povo dos reinos vizinhos.

15/5 - Meu amigo Totoro, de Hayao Miyazaki (1995)
As irmãs Mei e Satsuki Kusakabe mudam-se com seu pai para uma vila rural no interior do Japão, com o objetivo de ficar perto da mãe, que está convalescendo em um hospital. Satsuki tem 10 anos de idade e sua irmã, seis. Animadas com a mudança, elas correm e brincam ao redor da nova casa, explorando o lugar e se admirando com o bosque dos arredores. Juntas, vivem aventuras com espíritos da floresta amigáveis no Japão pós-guerra rural.

21/5 - Depois da chuva, de Takashi Koizumi (1999)
Japão, século 18. Durante alguns dias, um grupo de pessoas permanece preso numa pequena pousada, esperando o tempo melhorar. Lá fora, uma chuva torrencial faz subir perigosamente o leito do rio. Os mais diferentes tipos convivem e dividem os seus espaços no apertado lugar. Roteiro de Akira Kurosawa.

22/5 - O que eu mais desejo, de Hirokazu Koreeda (2012)
Na ilha japonesa de Kyushu, dois irmãos são separados após o divórcio dos pais. O mais velho, Koichi, foi morar com sua mãe na casa dos avós, localizada no sul da ilha, numa área campestre perto do preocupante vulcão Sakurajima. O irmão mais novo, Ryunosuke, manteve-se com o pai, guitarrista, no norte da ilha, região moderna e industrializada. Eles aguardam com ansiedade a inauguração de um trem bala.

26/8 - Princesa Mononoke, de Hayao Miyazaki (1997)
Durante a Era Muromachi, um terrível demônio que possui o corpo de deus-Javali deixa a floresta e se dirige ao vilarejo dos Emishi, um povo nobre cujo príncipe chama-se Ashitaka. Ele é quem se encarregará de parar essa terrível ameaça.

28/5 - A fortaleza escondida, de Akira Kurosawa (1958)
A história conta a saga de dois camponeses, Tahei e Matashichi, que fogem da destruição causada por uma batalha. No caminho, eles encontram o general Rokurota Makabe, que está escoltando a princesa de uma família nobre e suas riquezas para um lugar seguro. Os camponeses passam a acompanhar o general e a princesa, pensando em roubar o ouro.