Festa Literária das Periferias

Festa Literária das Periferias (FLUP)

Para celebrar o Modernismo Negro, a edição 2022 da Festa Literária das Periferias (FLUP), vai ocupar o Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) Museu da História e da Cultura Afro-brasileira (MUHCAB) para reivindicar o protagonismo negro desse movimento que marcou a história do Brasil e do mundo. O Sesc RJ é um dos parceiros do evento, que acontece de 11 a 18 de fevereiro e conta com uma programação robusta com rodas de conversa, mesas redondas, shows e contação de histórias.

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Reunimos no link abaixo, 20 indicações de livros em referência da temática da FLUP 2022, sendo 10 obras literárias e outras 10 obras não ficcionais/teóricas (em abas diferentes na planilha). Na Rede Sesc de Bibliotecas, o usuário pode, via sistema, solicitar o empréstimo do livro e agendar a retirada em uma das Unidades do Sesc.

 

Literários

Front (Pereira, Edimilson de Almeida)
Numa prosa poética arrebatadora, Edimilson de Almeida Pereira narra neste romance a trajetória de um homem que se constitui a partir dos escombros de uma cidade hostil e monta, peça por peça, o mosaico da sua subjetividade com os estilhaços de uma vivência de violência, abandono e desigualdade.

Contos e crônicas (Assis, Machado de)
Considerado por muitos estudiosos como o maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis, assim como diversos intelectuais negros de sua época, teve sua imagem branqueada para atender aos ideais racistas. Este branqueamento se dava no processo de clareamento das imagens, em fotos e ilustrações e na modificação dos traços físicos das pessoas ilustres que eram representadas. Com o tempo, infelizmente, muitos desses intelectuais negros ficaram conhecidos por diversas gerações como pessoas brancas. Lançada pela Faculdade Zumbi dos Palmares e pela agência Grey, a campanha “Machado de Assis real”, pede que leitores imprimam a nova imagem do escritor e colem sobre a tradicional foto impressa em seus livros. Como engajamento na ação que visa resgatar a negritude nas representações de Machado de Assis, a editora Malê lança o livro Machado de Assis: contos e crônicas, uma coletânea com os contos mais populares e com os textos (contos e crônicas) em que o autor aborda a questão racial. O livro é uma ótima oportunidade de apresentar para as presentes e futuras gerações o Machado de Assis real.

O Quarto de despejo: diário de uma favelada (Carolina Maria de Jesus)
O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.

Contos completos de Lima Barreto (Barreto, Lima)
A importância de Lima Barreto (1881-1922) na literatura brasileira tem sido objeto de sucessivas reavaliações. A oralidade despojada de seus textos e o tom memorialista e de crônica jornalística foram duramente criticados por contemporâneos como José Verissimo e, ao mesmo tempo, serviram de atrativo para as vanguardas modernistas. Embora tenha morrido cedo, aos 41 anos, Lima Barreto deixou uma importante produção de romances, crônicas e contos. Com organização, introdução e notas de Lilia Moritz Schwarcz, esta edição reúne os 149 contos do autor, resgatados por meio de pesquisas em manuscritos, edições originais, jornais e revistas da época.

SOBREVIVENDO NO INFERNO (Racionais MC’s)
Na virada para os anos 1990, os Racionais MC’s emergiram como um dos mais importantes acontecimentos da cultura brasileira. Incensado pela crítica, o disco Sobrevivendo no inferno vendeu mais de um milhão e meio de cópias. Agora publicados em livro, precedidos por um texto de apresentação e intermediados por fotos clássicas e inéditas, os raps dos Racionais são a imagem mais bem-acabada de uma sociedade que se tornou humanamente inviável, e uma tentativa radical, esteticamente brilhante, de sobreviver a ela. “Foi com Sobrevivendo no inferno que a juventude negra e periférica se formou. Por causa deste disco muita gente se graduou em autoestima e não entrou para a faculdade do crime.” ― Sérgio Vaz “O relato não frio, histórico e real da mentalidade que massacra e exclui no Brasil.” ― Criolo

MACUNAÍMA, O HERÓI SEM NENHUM CARÁTER (Andrade, Mário de)
Macunaíma é um índio da Amazônia. Vive preguiçosamente com os irmãos até a morte da mãe, quando os três partem em busca de aventuras. O herói encontra Ci, Mãe do Mato, faz dela sua mulher e torna-se Imperador do Mato-Virgem. Ci dá à luz a um filho, mas ele morre e ela também. Antes de virar estrela no céu, ela dá a Macunaíma um amuleto, a muiraquitã (pedra verde em forma de lagarto) que o herói perde e vai parar nas mãos de Venceslau Pietro Pietra, o gigante Piaimã comedor de gente, que mora em São Paulo. Macunaíma e seus irmãos vão para a cidade grande tentar recuperar a muiraquitã. Lançado em 1982 e adaptado para o cinema em 1969 com o mesmo título. Romance modernista.

PONCIÁ VICÊNCIO (Conceição Evaristo)
A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

Histórias da Preta (Lima, Heloísa Pires)
“As Histórias da Preta falam de um povo que veio para o Brasil à força. Homens, mulheres e crianças escravizadas, distantes de suas terras, foram obrigadas a exercer todo tipo de trabalho. Perderam toda a liberdade, sofreram muito. No entanto, sobreviveram à escravidão e acabaram fazendo do Brasil sua segunda casa. Como é ser negro neste país? Faz diferença ou tanto faz? Reunindo informação histórica, reflexão intelectual, estímulos ao exercício da cidadania e historinhas propriamente ditas (tiradas da mitologia africana, por exemplo), a autora fala sobre a população negra no Brasil, com a experiência de quem já foi alvo de racismo.

A obra recebeu os prêmios Adolfo Aizen e José Cabassa pela União Brasileira de Escritores (UBE, 1999), o selo Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil,FNLIJ 1998, categoria informativo. Também foi selecionado para o Brazilian Book Magazine para na Feira do Livro de Bolonha (1999).”

Angola Janga (D’Salete, Marcelo)
Trabalho feito em forma de HQ, o autor traz para o contexto da literatura, o espaço de resistência, Angola Janga. O território de proteção e de luta é local que traz para o contexto de quebra de paradigmas, a liderança de Zumbi.

Omo-Oba: histórias de princesas (Oliveira, Kiusam)
Mazza edições  Omo-Oba: Histórias de Princesas é um livro que privilegia o recontar de mitos africanos, muito divulgados nas comunidades de tradição ketu, pouco conhecidos pelo público em geral e que reforçam os diferentes modos de ser femininos. Os seis mitos apresentados têm o objetivo de fortalecer a personalidade de meninas de todos os tempos.

Teóricos e Não Funcionais

Escritos de uma vida (Carneiro, Sueli / Ribeiro, Djamila)
Apresenta coletânea de artigos publicados ao longo da vida de Sueli Carneiro e que refletem sobre a necessidade de se pensar novos marcos civilizatórios. Discorre sobre o poder feminino, questões de gênero, raça e ascensão social, discriminação social. movimento negro, religião e cotas raciais.

O GENOCÍDIO DO NEGRO BRASILEIRO Processo de um racismo Mascarado (Nascimento, Abdias do)
Militantes e pesquisadores se reuniram para discutir e denunciar a matança dos jovens negros no Brasil e firmarem a resistência da população negra contra o massacre racial

Afro-descendência em cadernos negros e jornal do MNU (Elisa Larkin Nascimento)
A escolha de uma produção textual que se define como “negra”, como objeto de estudo, evidencia a opção por lidar mais detidamente com uma outra parte da minha formação identitária, o afro, marcada pela cor da pele e pela necessidade de tornar patente a impossibilidade da transparência. Os textos de Sociologia, História, Antropologia, Estudos Culturais, Estudos Pós-coloniais e Black Studies se entrecruzam com debates, reflexões, aulas, seminários, leituras e discursos vários, dos quais me apropriei, atribuindo-lhes valores diferenciados .Uma apropriação que faz adaptações, realça o que se configura pertinente para o estudo dos periódicos, explora as possibilidades de remodelar e trair ou abandonar idéias e conceitos que não s enquadrem nas nuances por mim escolhidas.

PEQUENO MANUAL ANTIRRACISTA (Ribeiro, Djamila)
Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em onze capítulos curtos e contundentes.

O Que é Racismo? (Santos, Joel Rufino dos)
“A raça negra tem comportamento psicológico instável e, por isso, não cria civilização.” Alguns tentam provar que as diferenças sociais são determinadas por fatores biológicos. Outros explicam que o racismo surgiu da necessidade de justificar à agressão. Seria verdade? Faria o racismo parte da natureza humana?

O Lendário Pixinguinha (Sebastião Braga)
A obra apresenta raridades sobre um dos maiores músicos brasileiros. Viajando através de suas origens, viagens pelo mundo, sambas, composições e histórias de vida, o autor homenageia Pixinguinha.

O terreiro e a cidade (Sodré, Muniz)
O livro de Muniz Sodré é um estudo interdisciplinar sobre a cultura negra no Brasil, suas formas de resistência na religião e nos costumes, sua relevância no ‘território’ cultural das classes brancas dominantes. Temas como a festa, a força, a ecologia, o espaço, a música, a posse do espaço, a terra, os costumes são tratados sob vários enfoques – filosófico-histórico, intercultural, linguístico e sociológico.

Por um feminismo afro-latino-americano (Gonzalez, Lélia Zahar)
Com organização de Flavia Rios e Márcia Lima, Por um feminismo afro-latino-americano reúne em um só volume um panorama amplo da obra desta pensadora tão múltipla quanto engajada. São textos produzidos durante um período efervescente que compreende quase duas décadas de história ― de 1979 a 1994 ― e que marca os anseios democráticos do Brasil e de outros países da América Latina e do Caribe. Além dos ensaios já consagrados, fazem parte desse legado artigos de Lélia que saíram na imprensa, entrevistas antológicas, traduções inéditas e escritos dispersos, como a carta endereçada a Chacrinha, o Velho Guerreiro. O livro traz ainda uma introdução crítica e cronologia de vida e obra da autora.

Irreverente, interseccional, decolonial, polifônica, erudita e ao mesmo tempo popular, Lélia Gonzalez transitava da filosofia às ciências sociais, da psicanálise ao samba e aos terreiros de candomblé. Deu voz ao pretuguês, cunhou a categoria de amefricanidade, universalizou-se. Tornou-se um ícone para o feminismo negro.

Axé, Lélia Gonzalez!”

Lima Barreto: Triste visionário (Lilia Moritz Schwarcz)
Durante mais de dez anos, Lilia Moritz Schwarcz mergulhou na obra de Afonso Henriques de Lima Barreto, com seu afiado olhar de antropóloga e historiadora, para realizar um perfil biográfico que abrangesse o corpo, a alma e os livros do escritor de Todos os Santos. Esta, que é a mais completa biografia de Lima Barreto desde o trabalho pioneiro de Francisco de Assis Barbosa, lançado em 1952, resulta da apaixonada intimidade de Schwarcz com o criador de Policarpo Quaresma – e de um olhar aguçado que busca compreender a trajetória do biografado a partir da questão racial, ainda pouco discutida nos trabalhos sobre sua vida. Abarcando a íntegra dos livros e publicações na imprensa, além dos diários e de outros papéis pessoais de Lima Barreto, muitos deles inéditos, a autora equilibra o rigor interpretativo demonstrado em Brasil: Uma biografia e As barbas do imperador com uma rara sensibilidade para as sutilezas que temperam as relações entre contexto biográfico e criação literária.

Escritor militante, como ele mesmo se definia, Lima Barreto professou ideias políticas e sociais à frente de seu tempo, com críticas contundentes ao racismo (que sentiu na própria pele) e outras mazelas crônicas da sociedade brasileira. Generosamente ilustrado com fotografias, manuscritos e outros documentos originais, Lima Barreto: Triste visionário presta um tributo essencial a um dos maiores prosadores da língua portuguesa de todos os tempos, ainda moderno quase um século depois de seu triste fim na pobreza, na doença e no esquecimento.”

Dicionário da história social do samba (Nei Lopes)
Expressão da cultura marginal carioca do início do século XX, o samba resistiu a décadas de racismo e preconceito estético, e se tornou parte inextricável da identidade nacional brasileira. Nesta obra de referência pioneira, os outores inscrevem o valor da negritude e da história dos negros na criação e na fixação do samba, e a ambígua inserção dessa cultura musical na sociedade de consumo.

Segue link com um número maior de obras, para consulta dos interessados: https://linktr.ee/sescflup

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