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Pais, filhos e circo: Trupe Família Clou

A Trupe Família Clou é composta de um núcleo familiar de artistas da cidade de Nova Friburgo. Os filhos cresceram em meio às apresentações dos pais, e aos poucos foram se integrando à criação dos espetáculos e à formação artística em suas rotinas pessoais, tornando-se circenses, como nas histórias das tradições do circo familiar. Neste Dia dos Pais, convidamos Dalmo Latini, pai e Ian Melone, filho, para compartilhar um pouco de sua trajetória e relações familiares dentro e fora de cena.

Os artistas, que participam continuamente da programação do Sesc RJ, já estiveram nos projetos Festival Sesc de Inverno, Sesc Verão, Mostras Regionais de Artes Cênicas e, em breve, estarão presentes na programação do projeto Arte em Cena. O público poderá conhecer um pouco mais do trabalho nas nossas plataformas virtuais.

Dalmo Latini (pai):

Quando eu e a Talita começamos a Trupe, nenhum de nós vínhamos de família circense. Havia um desejo nosso em trilhar esse caminho do palhaço e o encontro com o pessoal do Teatro de Anônimo aqui na cidade fortaleceu muito isso. Eu conheci o Márcio (Libar) e o João (Artigos), eles me falaram do trabalho deles e depois eu desci pro Rio de Janeiro pra estudar com eles, fiz as oficinas, fui me aproximando desse universo, conheci o Anjos do Picadeiro. Então o desejo começou com a linguagem do palhaço. Nós já tínhamos a Isabela, ela era pequenininha quando a gente começou a Trupe. Naturalmente ela foi crescendo nesse meio.

Cada encontro que a gente ia, cada viagem, cada apresentação, nós não tínhamos com quem deixá-la, ela sempre estava com a gente. Então, de certa forma ela foi crescendo nesse meio e foi se habituando a assistir às coisas, a conhecer outros artistas, a conhecer até a nossa própria evolução como artista. Ela foi crescendo e entrou em cena também com a gente, se apresentou por um período conosco.

Depois veio o Ian, que naturalmente fez o mesmo percurso, a gente viajava e desde pequenininho ele participava não só nas apresentações, mas também quando íamos fazer uma oficina ele estava presente, então eu acho que ele absorvia aquele conteúdo. E a Trupe foi crescendo e de certa forma fomos fazendo a nossa própria tradição circense, quer dizer, não éramos uma família circense, mas a gente não imaginava que estava criando a nossa própria tradição.

O Ian hoje se apresenta não só comigo na Família Clou como também na Punk Circus, e a Isabela hoje faz a minha produção do espetáculo solo – O Magnífico Circo de um homem só. Então eles estão o tempo todo presentes na nossa criação, nas nossas dificuldades, em tudo isso. Eles conheceram tudo isso por dentro e hoje trilham esse caminho com a gente. O Ian está com dezoito (anos), fez dezoito esse mês; a Isabela está com vinte e dois (anos), mas eu acredito que essa semente vai ficar com cada um deles.

Seja o que for que eles escolherem fazer, se eles forem continuar, eu acredito que essa semente da família da arte da palhaçaria, dos encontros, vai estar presente como uma grande experiência pra eles.

E como é se apresentar e tê-los por perto? É maravilhoso! Eu tocar num evento com a Punk Circus e o Ian ser meu baterista – ele que já viu tantos espetáculos, conheceu tantos trabalhos diferenciados – poder me dar retorno do espetáculo, poder me ajudar a construir uma cena melhor. A Isabela também é muito crítica, então são pessoas que eu posso contar pra entender o meu processo artístico, como está sendo. E eu acho que o aprendizado é mútuo, eu acho que também eu e Talita, a gente acaba ensinando pra eles, de alguma forma, não só a cena, mas como viver nesse mundo da arte, com tantas coisas maravilhosas e com tanta dificuldade.

Eu tava falando com a Talita que algumas pessoas perguntam pra gente o que é que a gente construiu com isso, que patrimônio? E eu digo: o patrimônio material é pouco. A gente acabou criando os filhos no meio de tantas outras dificuldades, somos professores também, então a gente vive as duas vertentes, a vertente do professor, que no Brasil não é valorizada, e a do artista, que está nessa batalha. Mas, se eu falar de um patrimônio imaterial, nossa… é um patrimônio riquíssimo que eles tiveram contato. E que ainda têm contato. Então é mais ou menos isso: é muito prazeroso estar com eles, muito desafiador, porque eles são adolescentes, são jovens – a Isabela já é adulta – então eles têm as questões deles e a gente como família precisa entender todas essas questões, e fazer isso funcionar.

É diferente de um grupo que só se reúne e ensaia e depois vai cada um pra sua casa. A gente tem esse convívio diário e isso tudo tem seus prós e seus contras. Eu vejo muito mais coisas boas relacionadas a isso. É maravilhoso ter essa possibilidade de experimentar estar no palco com o filho é absolutamente incrível, mesmo que um filho esteja em cena e a filha esteja cuidando dos bastidores para que tudo saia bem em cena. São dois valores muito importantes para a coisa fluir.

Ian Melone (filho):

Estar com o meu pai no palco, estar trabalhando com o meu pai – não necessariamente a gente está no palco, a gente está em uma produção – é muito bom, eu sempre aprendi muito. Além de ser meu pai, ele é o meu mestre, e grande parte do que sou hoje eu devo a ele e à minha mãe. Eles são os meus mentores, pais, tutores, tudo o que eu tenho de referência, e me ensinaram a ter outras referências boas. Eu acho que eles me deram um bom caminho pra eu trilhar e seguir.

Estar com o meu pai como a gente faz hoje – estamos mais eu, ele, e a minha irmã – é um aprendizado tanto pra família quanto pra profissão. É um caminho de desenvolvimento e de evolução sempre, ele me estimula a fazer coisas novas e sempre me ouve – acho que eu sou uma das pessoas que ele tem como curador da vida dele. Se eu falo que uma coisa é boa ele acredita e vai, se eu falo que uma coisa não é boa, ele leva isso em conta. A mesma coisa que eu acho que sou pra ele, ele acaba sendo pra mim, que é a referência e mestre.

Estar com o meu pai é sempre muito bom, a sensação de poder fazer parte do trabalho dele. Eu vejo na maioria das pessoas que eu conheço, os pais têm um trabalho e as pessoas ficam em casa e fazem as suas próprias coisas, e eu estou com o meu pai em casa e no trabalho. Então, ter meus pais próximos esse tempo todo é muito importante. Até eu esgotar tudo o que eu posso aprender, na verdade eu acho que os meus pais são uma fonte inesgotável [de aprendizado]… Até que eu acho que aprendi tudo o que eu podia aprender, chega nesse ponto que ele me estimula a buscar outras referências, a aprender sempre mais, a não se prender só a ele. Isso é uma coisa que os pais sempre querem pros filhos, que sejam mais e mais, e não só para mim mesmo, pro mundo também. Meu pai quer eu seja feliz, eu acho que é o que todo o pai quer para o filho, pelo menos deveria querer. Meu pai é a minha referência, meu ídolo, meu herói.

O espetáculo Vocês estão prontos para o rock’n roll? da Trupe Família Clou está previsto para o dia 24 de outubro às 11h, no projeto Arte em Cena.

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