Dia do Orgulho LGBTQIA+ Homofobia

Dia 28 de junho: Dia do Orgulho LGBTQIA+

O afeto não se escreve em leis, mas se escreve em livros. No dia de comemoração do Orgulho LGBTQIA+, é dia de se reconhecer, se amar e exercer livremente a sua identidade

Por Paulo Ricardo Machado e Vicente Costa, equipe de Biblioteca do Sesc RJ

ORGULHO, 03 sílabas e 7 letras, mas, além de ser um substantivo masculino, ORGULHO significa um estado de espírito, uma satisfação pessoal, uma admiração, um amor próprio. Ter uma data de comemoração do Dia do Orgulho LGBTQIA+ é lançar o indivíduo que se sente excluído ao centro do universo, trazendo-o ao mesmo tempo para os abraços sociais. E também uma forma de resistência, face aos movimentos que buscam lançá-lo ao mundo da invisibilidade.

Mas nem sempre foi assim…

Há 52 anos ocorria um movimento de libertação e luta política, que para além do respeito, lutava também pelos direitos civis da comunidade LGBT. A Revolução de Stonewall, nos EUA em 1969, trouxe visibilidade e alerta para a necessidade uma nova reconfiguração legislativa, uma vez que em 1960 a união entre pessoas do mesmo sexo era considerada crime.

Rememorando, “O afeto não se escreve em leis”.

O fato desses arranjos familiares serem criminalizados não impedia que acontecessem. Porém, sem a devida proteção legal, a união era alvo de perseguição e punição, lançando os indivíduos a um ambiente de exclusão e preconceito.

O marco inicial do rompimento dessas estruturas arcaicas ocorre em Nova Iorque, em um bar então chamado Stonewall Inn, local onde a comunidade LGBT se sentia protegida das incursões policiais, uma vez que os donos nutriam relações não republicanas, evitando, assim, que seu estabelecimento fosse alvo de operações. O ambiente era um local de afeto e um dos únicos a permitir a entrada do público gay, contrariando, portanto, qualquer regulamentação estatal.

Contudo, em 1969, o bar sofreu uma intervenção policial que culminou com agressões aos frequentadores e trabalhadores, fazendo com que a comunidade ao redor se colocasse contrária à prática discriminatória. Assim, foram cinco dias seguidos de protestos contra a perseguição policial aos homossexuais, trazendo visibilidade para a proteção dos direitos da comunidade LGBT.

Martin Boyce, frequentador do local, em entrevista concedida ao The New York Times, comenta: “A dor, a raiva, a frustração, a humilhação, a constante insistência, a constante agitação que causaram em nossas vidas: agora era a hora de se livrar disso tudo”.

Como resultado desse movimento importante frente à repressão estatal, a Revolução de Stonewall se tornou um símbolo de libertação e de ORGULHO da comunidade homossexual.

Sendo assim, 28 de junho é comemorado o DIA DO ORGULHO LGBTQIA+.

Há um elemento fundamental nesse rompimento com essas estruturas discriminatórias: as relações de afeto que antes ficavam reservadas aos guetos (locais também de proteção), a ocupação do espaço público ressignificou os mandamentos e passou a ter uma força política.

SIM, O AFETO É UM MOVIMENTO POLÍTICO

Dentre as diversas mensagens que podem ser extraídas desse movimento, uma ganha proeminência: “o armário que a sociedade criou é fétido, aprisiona e não nos permite respirar. Eu prefiro a liberdade”.

Passados anos desse movimento, a comunidade LGBTQIA+ ainda convive com discursos de ódio, posturas discriminatórias e com atos que buscam, para além da deslegitimação da identidade do outro, romper com todos os mandamentos legais e de convivência social, que possui como marco inicial o respeito ao outro.

Por outro lado, o movimento de resistência fez com que as novas gerações pudessem se identificar, se reconhecer e exercer livremente sua afetividade, e encontrando laços de proteção dentro da própria sociedade.

O caminho, porém, é cheio de percalços, e mesmo que seja um dia de ORGULHO, é fundamental dar visibilidade aos números assustadores da violência contra a comunidade LGBTQIA+.

Segundo a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), o ano de 2021 apresenta dados que destacam a necessidade de um direcionamento de políticas públicas protetivas, uma vez que o número de assassinatos contra travestis e transexuais tende a tornar o ano um dos mais violentos, sendo registrado um aumento de 37% em relação ao ano de 2020.

O espaço público é plural, é de todos. Os limbos sociais ficaram para trás, e a ocupação é a palavra do momento.

Em que pese grupos antagônicos busquem calar a voz da comunidade através de discursos ou atos violentos, não é possível retração na conquista de direitos, ao contrário, ORGULHAR-SE também possui uma ideia fundamental de inclusão e luta por maior igualdade, que não foi conferida historicamente.

E por falar em garantia de direitos, em 2021 o Brasil comemora 10 anos do reconhecimento da união homoafetiva enquanto entidade familiar. Parece algo recente, não é? Sim, de fato é muito recente. Mas o afeto não se escreve em leis ou julgamentos, o que ocorreu foi apenas o reconhecimento, uma vez que diversos arranjos familiares eram constituídos sem a égide da chancela estatal.

A literatura, enquanto instrumento potente de visibilidade ao que ocorre no mundo que gira, antes de 2011 trazia textos fundamentais para a mudança e reconhecimento dos diversos arranjos de afeto existentes no panorama brasileiro.  Ainda em 2010, Marcia Leite lançava “Olívia tem dois papais” (Companhia das Letrinhas), onde narra a história de Olívia e seus pais Luís e Raul. Em 2006, Julio Wiziack publicava sua obra “Abrindo o armário – encontrando uma nova maneira de amar e ser feliz” (Jaboticaba), onde o autor narra os conflitos que teve para reconhecer sua identidade homossexual, com um enredo que trata da importância de amar e ser feliz com plena liberdade.

Conforme narramos acima, o texto literário possui um papel elementar na trajetória de dar visibilidade ao que ocorre no interior social. Somado a isso, é também instrumento de fortalecimento de protagonistas, permitindo que os indivíduos possam narrar suas trajetórias, sem a utilização de terceiros. A literatura fortalece seu compromisso de rompimento com estruturas de opressão, traz ao compartilhamento público histórias de resistência e facilita, para além do reconhecimento identitário e fortalecimento das redes de proteção e afeto, a quebra dos silenciamentos e dá voz aos diversos atores sociais.

ORGULHAR-SE É UM ATO POLÍTICO!

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