Mostras Regionais de Artes Cênicas 2021 – Baixada: Panóptico

O espetáculo PANÓPTICO apresenta questões relevantes e atuais, através de uma metáfora sobre um sistema opressor.

Trazendo algumas referências ao mito da Caverna de Platão. Os dois personagens (André e Heleno), desde a infância, se encontram aprisionados num suposto “orfanato”. Nesse lugar não conseguem se mover, em virtude dos medos que os mantém imobilizados, assim como Platão descreveu.

No texto há uma casa perdida, e um perigo desconhecido do lado de fora. Dois órfãos esquecidos depois de estranhos acontecimentos são forçados a se confrontar em busca de respostas. Vivem constantes ameaças sob as regras e imposição de um pai já morto, temendo um grande perigo que os assombra. Como escapar deste lugar? André e Heleno vivem em constante atrito por causa das adversidades de um lugar inóspito onde a opressão psicológica impera de forma violenta. A ausência do PAI faz com que a atmosfera seja carregada de tensão culminando num desfecho inesperado.

Os personagens são múltiplos e fragmentados, tendo conhecimento apenas de uma parte da verdade. Sendo assim, o grupo constrói uma encenação com quatro atores, de forma que cada personagem seja interpretado por dois atores. Mostrando assim as diversas dimensões de cada personagem. A encenação é impregnada de elementos oníricos. Concebemos o espetáculo
como uma realidade paralela, como um sonho. O enredo é conduzido por uma agressividade verbal, prosseguindo num crescente que culmina inevitavelmente na explosão catártica da violência física. O texto “PANÓPTICO” nos interessou por tocar num assunto que nós da baixada vivenciamos diariamente, a relação: Opressor X Oprimido.

O grupo reside numa região periférica considerada cidade-dormitório, local estigmatizado pela presença constante da violência, onde seus habitantes são com frequência oprimidos pela sua condição social e territorial. É neste lugar que vários tipos de trocas simbólicas ocorrem no atrito constante de signos e valores diferentes, mas que não faz deste local um lugar sem cultura, mas uma cidade plural e cheia de contradições, em que as produções humanas estão sempre em trânsito. Nós do grupo achamos pertinente a reflexão proposta pelo texto sobre as dimensões da violência opressora, suas causas e sua complexidade, através da percepção subjetiva daquele que é afetado diretamente por ela e que constrói práticas e interações com esta realidade.

Teatro.

Trupe Investigativa Arroto Cênico:

A Trupe Investigativa Arroto Cênico é um coletivo teatral criado há quatro anos e sediado no município de Nova Iguaçu na baixada fluminense no estado do Rio de Janeiro, desenvolvendo uma instigante atividade artística de pesquisa de linguagens cênicas e de multiplicações de conhecimentos artísticos na área teatral, fomentando a criação local, conseguindo ampliar o espaço de atuação profissional de seus artistas e técnicos. O grupo apesar do pouco tempo de trajetória tem feito um percurso de êxito artístico representando a baixada fluminense pelo Brasil afora. Já realizamos temporada dos nossos espetáculos no Teatro Ipanema, Teatro Glauce Rocha, Teatro Gláucio Gil e Galpão Gamboa no centro da cidade do Rio de Janeiro e nos Teatros da Rede SESC.

O grupo pertence à REDE BAIXADA EM CENA juntamente com outros 17 coletivos de artes cênicas da baixada fluminense, que recebeu em março de 2017 numa cerimônia no Copacabana Palace no Rio de Janeiro o PRÊMIO SHELL na categoria INOVAÇÃO pela ocupação no Teatro Glauce Rocha no mês de novembro de 2016. Com os nossos quatro espetáculos (Borra, Francisca – Uma Casa Enlutada, Zero.5 e Panóptico) já fomos selecionados para 39 festivais nacionais de teatro nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Paraná. Tendo recebido 30 prêmios e mais de 35 indicações.

Em 2018 o grupo foi contemplado no Edital Cultural da FIRJAN SESI para participar da Mostra Novos Talentos de Teatro com a montagem do espetáculo PANÓPTICO de Luiz Henrique Duarte.

Fora a circulação de seus espetáculos o grupo tem realizado distintas ações de articulação artística com outras redes e instituições. Em maio deste fizemos parte do corpo de jurados do II FESTIVAL DE TEATRO DE SALTO/SP sendo representados pelo nosso diretor artístico Marcos Covask através de um convite da Secretaria de Cultura do  município de Salto. Participamos também da 21ª edição do PALCO GIRATÓRIO como um dos convidados do bate-papo “Pensamento Giratório” sobre Redes de teatro junto com representantes da Rede Baixada em Cena. Participamos também do Debate de Abertura do FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2018 no SESC Nova Iguaçu.

Pedro Kosovski:

Pedro Kosovski é Dramaturgo, diretor teatral e professor de artes cênicas da PUC-RIO e do Teatro O Tablado. Funda, em 2005, a Aquela Cia de Teatro, núcleo de criação e pesquisa da linguagem teatral. Concentra seus esforços artísticos em uma dramaturgia que está no trânsito entre os conceitos de memória coletiva e fabulação. Suas obras foram apresentadas nos principais festivais do Brasil, em Portugal, Colômbia e, após a pandemia, será traduzida e publicada na França.

Recebeu indicações e foi vencedor dos principais prêmios de artes cênicas do Brasil como Shell, APCA, Cesgranrio, Questão de Crítica, APTR, Aplauso Brasil, Zilka Salaberry. Foram encenadas vinte peças de sua autoria dentre as quais a ópera contemporânea “Aquilo que mais eu temia desabou sobre minha cabeça” (2017), que estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Três de suas peças que formam a “Trilogia Carioca” (Cara de Cavalo”, “Caranguejo Overdrive”, “Guanabara Canibal”) estão publicadas pela editora Cobogó. Traduziu a obra “Fiz Bem?” da dramaturga francesa Pauline Salles também publicada pela mesma editora.

Unidades