Mostras Regionais de Artes Cênicas 2021 – Zona Norte: Se não fosse o samba?

A obra trata-se de uma bela homenagem aos Passistas das Escolas de Samba, feita por Passistas da Vanguarda Carioca.

Oito dançarinos populares contam, através dos movimentos do samba no pé, entre outras influências técnicas, histórias relatadas por Passistas de diversas gerações. Estão no jogo cênico pernadas, rebolados, riscados que variam dentro e fora do compasso ideal. São sapateados que vem dos terreiros, das quadras, dos ensaios exaustivos, dos becos dos morros e ruas do subúrbio e ganharam os Palcos do Mundo.

Dizem que o Passista tem um destino incerto e a Passista certamente irá se casar com alguém que admire o seu sambar e suas curvas, ou uma coisa ou outra em muitos casos. Mas não é sobre o que pensam desses artistas que vamos “sambar”, vamos revelar histórias que os enredos, os sorrisos, a alegria de estar na passarela não contam ou simplesmente, escondem. Os relatos são viscerais, de indivíduos que deram a vida pelo samba e também tiveram suas vidas arrebatadas por ele. Ele, o samba, que tanto encanta aos olhos de quem ver, faz todo sentido na vida de um Passista, ao ponto de largar sua própria família e partir em busca da passarela. Da almejada Passarela, que alguns nem lá conseguem chegar, esses “alguns”, cujas Escolas não lhe garantem destino algum, nem mesmo o Desfile.

O Passista reveza em diversos personagens, mas os que mais lhe definem são os Mágicos, Malabaristas, Trapezistas e Palhaço como num circo, simplesmente para terem direito a Fantasia, a medida que nem sempre ela é garantida, mesmo diante de tantas facetas. E são de Facetas que estes sambistas são compostos, as facetas do amor daquela Cabrocha, a loucura pelo tal Malandro, o fascínio pelo cargo da Rainha da Bateria e a roda de Passistas nos ensaios de quadra. São nas rodas de passistas que acontecem a Magia, a troca de energia, o melhor espaço de aprendizado, o flerte e a originalidade dos “Donos da Roda”.

Com todas essas combinações poéticas da “Arte de sambar”, têm trajetórias que são especiais. Caminhadas, inúmeras vezes sem ritmo, que movimentam a vida para frente, para trás ou sem direção. É o antes, o durante e o depois da glória carnavalesca, o desfile, que este espetáculo se molda.

Sapatear, tracejar, girar, rebolar até o chão, manusear o pandeiro, encantar, emocionar, se exibir para uma platéia de mais de 65 mil pessoas na Passarela do Samba, tem um preço. Todavia Passistas apaixonados pela sua arte pagam pra ver, ou melhor, para serem vistos e lutam para serem reconhecidos, ou bem melhor, sambam para serem imortalizados. E por falar em imortalidade…

SE NÃO FOSSE O SAMBA?
Modalidade: Dança
Duração: 20 minutos
Formato de apresentação: Vídeo
Faixa Etária: Livre
Direção: Fábio Batista
Pesquisa: Silvia Borges, Fábio Batista e Elenco.
Colaboradora: Carmen Luz
Figurino: Clóvis Costha e Conceição.
Trilha musical: Elenco

Elenco:

  • Diego Nascimento
  • Felipe Nascimento
  • Ingrid França
  • Kellyn Rosa
  • Luara Lino
  • Márcio Dellawegah
  • Mayombe Masai
  • Thai Rodrigues

Escola Carioca de Danças Negras:

A Escola Carioca de Danças Negras é um dos eixos de atuação do Projeto “PoDe-C!” Andaraí, visando a formação artística por meio de danças “Afrodiaspóricas”, dentre elas Dança Afro, Samba no pé, Jazz, Moderno, Hip-Hop, Funk , Danças Populares, Teatro, Dança Contemporânea e Percussão.

A “ESCADAN” tem como público alvo moradores da Periferia e de Comunidades Faveladas do Rio de janeiro, sobretudo Mulheres Negras e público LGBTQIA+.

Atua de forma presencial, com sede na comunidade do Andaraí e em tempos de Pandemia, tem atuado de forma virtual em suas plataformas digitais (Facebook, Instagram, YouTube, Zoom e Google Meet) e nas mídias digitais com Workshops ao vivo, Lives, Video-dança e publicações de incentivo a arte e prevenção da Covid-19.

Todo processo metodológico culmina na produção de espetáculos, fomentando a formação de platéia nos equipamentos de cultura públicos e privados, além de introduzir atividades experimentais em espaços culturais e ociosos no Andaraí, entre outras comunidades do Rio de janeiro.

A “Escadan” foi fundada em 2014 e desde sua abertura, já atendeu pouco mais de 600 participantes. Realiza parcerias com empresas e produtoras do setor cultural, companhias e coreógrafos de âmbito Nacional e Internacional. Foi contemplada com o Prêmio Favela Criativa da Secretaria Estadual de Cultura em 2015, participou do Rock in Rio 2017 sendo convidada para representar o balé Afro no palco Rock Street África, participou do evento Criadores Negros e do Workshop de Danças Negras no Iberoencena em 2019, fez parceria com SESC no evento Entre Danças de 2019, participou do Movimentos Afroatlanticos Brasil-Moçambique, integra o Fórum de Performances Negras RJ e atualmente é Ponto de Cultura do Cultura Viva do Governo Federal.

Ficha técnica:
Direção Geral: Fábio Batista
Assistente de Direção: Claudia Martins
Diretor Artístico: Márcio Dellawegah
Produção: Jéssica Yji

Instrutores:
Kaio Ventura (Percussão), Claudia Martins (Afro e Zumba), Fábio Batista (Dança Afro contemporânea), Marcio Elias (Samba no Pé e Jazz), Patrick Vieira (Canto e Violão), Thalia Araújo (Balé Clássico), Betho Pacheco (Moderno), Charles Nelson (Dança Afro Brasileira) e Fernanda Dias (laboratório de Danças Negras).

Carmen Luz:

Carmen Luz é coreógrafa, diretora de teatro e realizadora audiovisual. Atua, também, como curadora, consultora, pesquisadora e docente. Sua pesquisa artística e teórica inclui o interesse pela vida e obra de artistas beninenses, zimbabuanos e da diáspora negra nas Américas. Aborda com especial interesse as memórias de mulheres negras e o cotidiano de jovens moradores dos grandes centros urbanos e suas periferias, conectando-os aos processos sócio-políticos globais.

É mestre em Arte e Cultura Contemporânea pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, professora de história do cinema brasileiro na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, idealizadora e professora do curso Danças Negras na Faculdade Angel Vianna. É diretora artística e coreógrafa da Cia. Étnica de Dança, sediada no Rio de Janeiro.

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