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O cinema e a música de Sérgio Ricardo

Nesta semana, nossa equipe de Cultura vai mergulhar no cinema e na música de Sérgio Ricardo. Sua vida e sua obra. 

Das canções e dos discos de bossa nova, compostos entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1960, ao seu último filme, dirigido em 2018, Sérgio Ricardo marcou a arte brasileira em todos os campos em que atuou. O artista passou também pela literatura e pelas artes visuais, nunca abdicando de uma voz autoral, repleta de provocações e alfinetadas numa sociedade burguesa e conformada.

Nascido João Lutfi, Sérgio Ricardo adotou o novo nome quando ainda aspirava a ator de cinema e de televisão. O sobrenome “oficial” denuncia o parentesco com Dib Lutfi, seu irmão e parceiro profissional, um dos diretores de fotografia mais importantes do cinema brasileiro. Com o irmão no comando das câmeras e da luz, Sergio Ricardo dirigiu o seu primeiro projeto para o cinema, o curta-metragem Menino da calça branca, segundo lugar no Festival de São Francisco, na Califórnia, em 1962,. Em seguida, trabalhou os longas-metragens Esse mundo é meu, Juliana do amor perdido e A noite do espantalho – este último, o seu filme mais conhecido, protagonizado por Alceu Valença e cuja trilha sonora homônima, lançada em 1974, é cultuada até hoje.

Sérgio Ricardo também compôs para o teatro e para a televisão, e além de assinar a trilha sonora de boa parte dos seus próprios filmes, foi parceiro de grandes diretores, entre eles Glauber Rocha, Roberto Santos, Silvio Back e Maurice Capovilla. Mais recentemente, os cineastas Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles incluíram na trilha sonora do filme Bacurau uma das músicas compostas originalmente para o espetáculo O Coronel de Macambira, gravada no disco A grande música de Sérgio Ricardo.

Aos 88 anos, o grande artista nos deixou no último 23 de julho de 2020. Indicamos abaixo quatro obras audiovisuais que se relacionam com a figura de Sérgio Ricardo e estão disponíveis nas plataformas de streaming para que celebremos o seu legado e a sua íntegra trajetória.

Bandeira de retalhos (2018)

Comecemos as indicações pelo mais recente trabalho autoral de Sérgio Ricardo. Entre A noite do espantalho, seu filme anterior, e Bandeira de retalhos há um abismo de 45 anos. Com uma produção realizada em parceria com Cavi Borges, o filme é dirigido por Sérgio Ricardo, a partir de uma peça escrita por ele mesmo ainda na década de 1970, e tem em seu elenco grandes nome como Antônio Pitanga, Babu Santana, Bemvindo Sequeira e Osmar Prado. Atores e técnicos do Nós do Morro participam da obra, assim como também participaram anos antes da adaptação desta história para o teatro. O projeto nasceu da convivência do artista no Morro do Vidigal, onde morou por mais de 30 anos, e é sobre três personagens, Neno, Tiana e Bituca, que se relacionam em meio à notícia de que a prefeitura do Rio de Janeiro decidiu desapropriar os barracos do local. Disponível no YouTube.

Deus e o diabo na terra do sol (1964)

O segundo longa-metragem de Glauber Rocha foi um marco no Cinema Novo Brasileiro. Sua narrativa é articulada a propósito de trechos musicais cujas letras foram escritas pelo próprio Glauber. Sérgio Ricardo foi chamado para compôr a música, com base nos registros sonoros feitos pelo diretor a partir de um mapeamento realizado por ele no sertão baiano. A história do filme gira em torno de Manuel, que mata o patrão e foge com sua esposa, Rosa, até encontrar Sebastião, um autoproclamado santo que lidera uma multidão devota e religiosa. A excelente trilha sonora também foi registrada e lançada em disco no mesmo ano. Disponível no Globosat Play (Canal Brasil).

Terra em transe (1967)

Três anos após Deus e o diabo na terra do sol, Glauber Rocha retoma a parceria com Sérgio Ricardo para compôr a trilha sonora de Terra em transe. O filme é sobre o jornalista e poeta Paulo Martins, interpretado por Jardel Filho, que tenta mudar os rumos do fictício país latino-americano Eldorado. Por esta obra Glauber Rocha recebeu os prêmios Luis Buñuel e Fipresci no Festival de Cannes de 1967. As canções do filme também foram orquestradas por Sérgio Ricardo, que apesar de ter estudado orquestração não estava habituado a fazer este tipo de trabalho. Disponível no Globosat Play (Canal Brasil).

Cinema na música de Sérgio Ricardo (2019)

A obra musical e cinematográfica de Sérgio Ricardo serviu de tema para este show realizado em 2018, criado em comemoração aos 85 anos do artista. O projeto foi idealizado e dirigido por Marina Lutfi, filha de Sérgio Ricardo, e a proposta audiovisual dirigida pelo documentarista Paulo Henrique Fontenelle. No show, Sérgio Ricardo apresenta suas principais criações para o cinema e divide o palco com os filhos. Disponível no YouTube.

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