Ocupação Refúgio

Mostra interativa e imersiva no Sesc Quitandinha provocará reflexão sobre refúgio e isolamento social

Ferramentas tecnológicas “transportarão” o visitante ao Saara Ocidental, local de refúgio do povo saarauí, e às casas de brasileiros isolados durante a pandemia. Programação paralela discutirá arte, ciência, tecnologia e humanidades. 

O Sesc Quitandinha receberá em outubro a Ocupação Refúgio: Arte, Ciência e Tecnologia – Narrativas e Mediações em Tecnologia e humanidades. Trata-se de uma mostra imersiva e interativa que levará o público a uma viagem aos recônditos da condição humana vivida durante a quarentena contra a Covid-19: o refúgio. A visitação será aberta no dia 8 de outubro na Cúpula do palácio, mas em setembro, nos dias 10, 18 e 25, o público já poderá saber mais sobre a iniciativa por meio de uma série de lives com os seus idealizadores. A partir do dia 10 de setembro também estará no ar o site da Ocupação Refúgio, onde o internauta conhecerá projetos de empreendedores digitais que se destacaram durante a pandemia criando projeto inovadores.

Na instalação artística “Irifi: Estrelas do Deserto”, o visitante é “transportado”, por meio de ferramentas de realidade aumentada e imagens 3D, ao deserto do Saara Ocidental. Ali conhecerá histórias e os hábitos do povo saarauí, que desde 1975 vive na condição de refugiado na região Norte da África e luta por sua independência do Marrocos e da Mauritânia. O ambiente reproduzirá a atmosfera local, com destaque para o céu estrelado, umas das ferramentas de localização utilizadas pelos saarauís em suas peregrinações pelo deserto. O projeto leva a assinatura do artista e cineasta Felipe Carrelli, com a participação do GalileoMobile, organização internacional que se dedica a levar a diversos países do mundo a divulgação científica.

Ferramentas tecnológicas levam a uma “viagem” ao deserto do Saara Ocidental.

A instalação “Quarentena: como será o amanhã?apresentará, por meio de dispositivos audiovisuais, depoimentos de pessoas em isolamento social captados durante a primeira onda da pandemia. Os relatos representam uma diversidade de perspectivas e afetos através das projeções futuras de brasileiros no refúgio das suas casas. O trabalho é assinado por André Paz, coordenador do BUG 404, laboratório em rede que atua no campo das narrativas interativas e imersivas inovadoras, ligado à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e ao Programa de Pós-Graduação em Mídias Criativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGMC/UFRJ).

Brasileiros expõem reflexões sobre o futuro pós-pandemia.

“Refúgio é um lugar onde estamos acolhidos, protegidos de perigo iminente. Onde o encontramos diante da Covid? Em nossas casas? E como nos refugiamos da solidão do isolamento social?  Nas telas, pela internet? Talvez, o coronavírus tenha disseminado uma experiência de vulnerabilidade análoga àquela vivida desde sempre pelos povos refugiados. Desterrados em suas próprias casas. Sem chão”, analisa André Paz, diretor artístico da Ocupação Refúgio e coordenador do BUG 404.

Criatividade durante o isolamento social
Além das duas instalações, o projeto Ocupação Refúgio contará com a Mostra Corona Bug, na qual serão apresentadas seis iniciativas on-line criadas durante isolamento social. Além da criatividade, os projetos trazem em comum o caráter de acolhimento aos usuários. Através da leitura de QR Codes, o visitante conhecerá, por exemplo, o Museu do Isolamento, o primeiro museu online do Brasil que se propõe a divulgar o trabalho de artistas que estão produzindo em seus diferentes isolamentos. Também poderá acessar, entre outros, o Cartografias da Memória, um compilado de áudios sobre as experiências e sentimentos vividos por pessoas durante a quarentena no Brasil e no mundo. O público poderá conhecer os projetos e seus idealizadores a partir de 10 de setembro no site da Ocupação Refúgio.

Serviço:
OCUPAÇÃO REFÚGIO
– Dias 10, 18 e 25 de setembro
Lives no canal do Sesc RJ no YouTube (/portalsescrio)
– De 8 de outubro a 31 janeiro
Instalações presenciais na Cúpula do Sesc Quitandinha (Rua Joaquim Rolla 2 – Petrópolis)
Mais informações no site da Ocupação Refúgio (A partir de 10 de setembro).

Programação:
SETEMBRO

DEBATES | DIÁLOGOS
Encontros online baseados em mesas com apresentações e debates com especialistas para aprofundar reflexões sobre as questões centrais da Ocupação Refúgio e seus desdobramentos. Como práticas, tecnologias, conhecimento e saberes tradicionais podem potencializar o processo criativo, as experiências, seus impactos e desdobramentos éticos?

Mesa de abertura | Narrativas interativas e imersivas e cocriação
10 de setembro – 10h
Canal do Sesc RJ no YouTube
Apresentação e debate sobre a direção artística da Ocupação Refúgio pela perspectiva da cocriação em narrativas interativas e imersivas, intensivas em ciência, humanidades e tecnologias. O uso de tecnologias como a realidade virtual e aumentada, associado à cocriação, identidade e território. Abertura Sesc com Julia Salles e André Paz. Mediação de Ana Cunha e Rejane Nóbrega.

Realidade Estendida (XR) e mediação
18 de setembro – 15h
Canal do Sesc RJ no YouTube
Apresentação de pesquisa e casos que utilizam as tecnologias de realidade estendida (XR), realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA), em projetos com propósitos socioeducativos. Com Felipe Varanda e Rafael Romão. Mediação de André Paz.

RESIDÊNCIAS EM ARTE, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Como a Arte, Ciência e Tecnologia podem promover a escuta atenta de grupos, povos e saberes que foram historicamente desterrados e silenciados? As residências artísticas da Ocupação Refúgio tratam de formas narrativas, perspectivas científicas e práticas de criação e comunicação baseadas na relação dialogal. Na amplificação dos vínculos, no compromisso com a colaboração e no cuidado às vulnerabilidades. Possibilidades de acolhimento.

Astronomia pelo mundo: GalileoMobile e o Projeto Amanar
25 de setembro – 10h
Canal do Sesc RJ no YouTube
Astronomia e Etnoastronomia | Sob o mesmo Céu | Diálogos
Com Sandra Benitez Herrera, Jorge Rivero González, Diego Torres Machado. Mediação de Felipe Carrelli e Patrícia Figueiró Spinelli.
A importância da divulgação científica na atualidade é o assunto que permeia esta mesa. Os convidados vão contar especificamente sobre a experiência do grupo de voluntários do projeto GalileoMobile. Desde 2009, eles popularizam a astronomia em cantos remotos do mundo que têm pouco acesso a esse tipo de iniciativa. Também será apresentado o Projeto Amanar, realizado em 2019 com refugiados saarauis nas Ilhas Canárias e nos cinco campos perto de Tindouf, na Argélia.

Esse evento faz parte de uma série de encontros sobre os conteúdos que serão abordados pela instalação Irifi: Estrelas do Deserto.

Etnoastronomia e a questão da divulgação científica com refugiados
25 de setembro – 14h
Astronomia e Etnoastronomia | Sob o mesmo Céu | Diálogos
Com Eduardo Monfardini Penteado e Andrea Rodriguez Antón. Mediação de Felipe Carrelli.
Como os povos do deserto usam as estrelas para se orientar? Que outros saberes eles têm a nos ensinar? Quais são as questões que permeiam a divulgação científica para os grupos de pessoas em situação de refúgio?

Haviam bibliotecas, mas eram todas ambulantes. As condições do deserto não permitem instalar-se e fazer instalações. Apesar da nossa condição nômade, o homem levantava uma bandeira, um desafio: de que nos reconheçam como sociedade independente, além disso, que se reconheça explicitamente que nesse Saara existe ciência e existem cientistas e que existem sábios

Nesta mesa, os convidados debatem sobre o papel da divulgação científica na questão migratória e também detalham o processo de etnoastronomia durante as atividades do Projeto Amanar – realizado em 2019 com refugiados saarauis nas Ilhas Canárias e nos cinco campos perto de Tindouf, na Argélia. Tal processo consistiu em entrevistas com sábios e sábias de estrelas saaraui, que contaram lendas e explicaram como os antigos nômades utilizavam as estrelas para se guiar, para rezar e para saber em que época do ano estavam.

Esse evento faz parte de uma série de encontros sobre os conteúdos que serão abordados pela instalação Irifi: Estrelas do Deserto.

Cocriação e realidade virtual na etnoastronomia Saaraui
25 de setembro – 16h
Astronomia e Etnoastronomia | Sob o mesmo Céu | Diálogos
Com Felipe Carrelli, Joel dos Santos. Mediação de André Paz.
Como a etnoastronomia na cultura do povo Saaraui é representada através da realidade virtual? O debate desta mesa vai girar em torno dessa questão, tratando dos desdobramentos da pesquisa-criação Estrelas do Deserto, de Felipe Carrelli. Os convidados vão falar sobre a abordagem adotada na perspectiva da cocriação e suas contribuições para a criação da experiência e a escuta atenta aos afetos e saberes Saaraui.

Esse evento faz parte de uma série de encontros sobre os conteúdos que serão abordados pela instalação Irifi: Estrelas do Deserto.

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