Slam Poetry

Slam Poetry no Rio de Janeiro

Slam poetry no Rio de Janeiro – batalhas de versos também se consolidam em solo carioca.

Por Vicente Costa
Bibliotecário e Analista de Literatura

Em 2013 é concebido o Slam Tagarela, pelos poetas Paulo Emilio Azevedo, Tom Grito, Max Medeiros e o rapper SlowDaBF, entre outros. Versátil em relação as regras estabelecidas por Marc Smith, o Slam ocorre sem limitação de tempo para cada poeta realizar sua apresentação, daí surge sua alcunha do projeto de maior slam do mundo. Outra característica própria da iniciativa era o uso de megafones para melhor propagar as mensagens dos poetas nas ruas.

Em sua trajetória ocupou espaços no centro da cidade do Rio de Janeiro e locais fechados como a sala Baden Powell em Copacabana. Na comemoração de cinco anos do projeto em 2018, foi realizada ação quase que simultânea em cinco locais da região metropolitana do estado – Zonas Norte, Sul e Oeste, Centro do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense.

Em 2014 é criado o segundo grupo de Slam do Rio de Janeiro, o Haicai Combat, pela poeta Yassu Noguchi, e sua regra específica é o formato dos poemas, como sugere o nome em estilo Haicai – poesia de origem japonesa composta de três versos, com cinco, sete e cinco sílabas. Também neste ano, a FLUP inicia sua jornada junto ao movimento literário com a realização do citado anteriormente, Rio Poetry Slam, que foi o primeiro campeonato internacional de poesia falada na América Latina.

Como esta Festa Literária teve característica inicial de ser realizada em periferias, o advento do torneio que em 2014 ocorreu no Morro dos Prazeres – localizado no bairro de Santa Teresa, região central da cidade – aproximou a lírica poética das batalhas às pessoas que vivem nas comunidades. Nos dois anos seguintes o evento foi realizado no bairro de Vigário Geral e no morro da Mangueira, em ambos tiveram vencedores brasileiros, os poetas João Paiva, de Minas Gerais, e Mel Duarte, de São Paulo, respectivamente.

Em 2016, surge o Slam Grito Filmes idealizado pelo coletivo independente de audiovisual de mesmo nome. A Grito Filmes já tinha experiência próxima ao slam por produzir diversos vídeos de intervenções literárias com poetas periféricos, entre elas a performance Século XXI do poeta e MC WJota, que alcançou mais de 50 milhões de visualizações no youtube. No ano seguinte realizou evento junto com o Slam Resistência, que visitara o Rio de Janeiro pela primeira vez, na Praça Mauá. O acontecimento motivou a criação de outras batalhas no Rio de Janeiro, como por exemplo o Slam Laje, que ocorre itinerante no conjunto de favelas do Complexo do Alemão, criado por MC Martina em 2017, após ver apresentações de Mel Duarte na FLUP e participar do Slam Grito Filmes. A poeta que antes da criação de seu slam já circulava a cidade com sua obra poética junto com o poeta Al-Neg – formando o Poetas Favelados – ao longo dos últimos anos participou de eventos importantes como uma edição da série de conferências TEDx, e o projeto Criança Esperança, Rock in Rio, entre outros.

Baseado em outras iniciativas que já aconteciam em alguns estados, em também 2017 é criado Slam das Minas RJ por Tom Grito e Yassu Noguchi entre outros, com proposta de ser espaço de resistência e reflexão para mulheres – cisgênero ou transgênero – homens trans e pessoas não binárias, agênero, transmasculines e transfeminines. É uma das batalhas de poesia de maior adesão de público no estado, e já participou da programação de eventos importantes como o Rock in Rio e o Torneio Internacional de Poesia de Montevidéu, no Uruguai este ano, entre outros. Ainda em 2017, surge o Slam Nós da Rua no bairro do Tanque na zona oeste carioca, no qual faz parte a poeta Sabrina Azevedo, única poeta a conquistar o Campeonato de Slam do Rio de Janeiro duas vezes.

Na baixada fluminense, região marcada por manifestações artísticas de oralidade anteriores a chegada do próprio slam ao estado, em saraus como por exemplo os do Instituto Enraizados – organização de hip-hop que realiza ações sociais através da arte, no bairro de Morro Agudo, em Nova Iguaçu – entre outros. O projeto Rimanessencia – programa exibido pela internet, no qual rappers e cantores apresentavam suas obras no formato spoken word, sem acompanhamento musical. Nomes como MC Marechal e Emicida participaram deste projeto iniciado em 2009 – também foram importantes para o fomento da cultura da palavra falada na região.

Em relação a slam, a movimentação para organização na região começa no final de 2017, quando os poetas Indiara Santos e Maui organizam o que viria a ser o primeiro slam da baixada, dentro de um circuito universitário do IFRJ de Nilópolis. A partir de 2018 é iniciado o Slam BXD, evento com proposta de criar ambiente para que poetas da região pudessem participar evitando longas viagens até o centro do Rio de Janeiro para apresentar seus poemas. As batalhas ocorrem no município de Duque de Caxias, na praça do Pacificador, uma região central da cidade, em frente a Biblioteca Municipal de Caxias. A batalha foi importante para a demarcação da cultura na região, a partir disso outras batalhas de poesias surgiram nos municípios da Baixada, como o Slam Poético (Imbariê), Slam Chapa (Nilópolis) e o Slam Marte (Nova Iguaçu).

Em 2019 é criada pela poeta Josi de Paula, única batalha de poesia afrocentrada ativa atualmente no estado, o Slam Negritude. Com proposta de ser um ambiente propício de reflexões entorno a questão racial e suas implicações na sociedade para as pessoas negras. Combate ao racismo, consequência da escravidão, saúde mental da população negra, as vidas nas favelas, entre outros temas, são evidenciadas e discutidas nas batalhas, com o objetivo de unificar falas potentes para impulsionar mudanças na sociedade. No mesmo ano, representando o Slam Negritude no Campeonato Estadual de Poesia Slam (SLAM RJ), a poeta paulistana King sagrou-se campeã.

Em relação a quantidade de slams no Rio de Janeiro, no último campeonato estadual participaram 17. Contudo, após levantamento na página oficial do campeonato SLAM RJ foi verificado que nos últimos dois anos foram mencionados cerca de 50 grupos de slam com atividades em todo estado. Não há informação sobre a continuidade de alguns grupos, mas de toda forma, segue o registro:

Slam CDD; Slam Favela; Slam Magé; Slam Trindade; Slam Melanina; Slam das Minas RJ; Slam Chafa; Slam Negritude; Slam Manguinhos; Slam Vila Isabel; Slam Veia Aberta; Slam Praça Preta; Slam Favela tem Voz; Slam Liberdade; Slam BXD; Slam Maré Cheia; Slam Brooklyn; Slam da Rampa; Slam Laje; Slam Sereno; Slam Marginow; Slam Poetas da Insurreição; Slam Poético; Slam NósdaRua; Slam Canta Teresa; Slam do Topo; Slam Muquiço; Slam X; Slam da Praça; Slam PPF; Slam da Terceira Idade; Slam Voz na Rua; Slam Caju; Slam Mapoa; Slam Versátil; Slam Maré Cheia; Slam das Águas; Slam Haicai Combat; Slam Praça Preta; Slam Riostrense; Slam Paz em Guerra; Slam de Quinta; Slam Grito Filmes; Slam Chicas da Silva; Slam Pequena África Flup; Slam Colegial Flup; Slam GDS; Slam Poetas Compulsivos; Slam Tagarela; Slam 024; Circuito Universitário de Slam.

Leia também: Slam Poetry: Batalhas da poesia

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